Em
O Primeiro de Janeiro

26 Jan 2022, 0:00

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Odes & Condecorações

OPINIÃO
Por Gustavo Pires*

A Ode Pindérica, acerca da excelência do nacional olimpismo, cantada pelo Presidente da Federação Portuguesa de Canoagem ao Sr. Primeiro-ministro numa reunião com um conjunto de personalidades ditas independentes, mas que ninguém acredita, na linha politicamente correta dos “melhores resultados olímpicos de sempre”, pintou o desporto nacional de cor-de-rosa. Todavia, a ver bem, tratou-se de um canto completamente desafinado uma vez que se compararmos a eficácia do desporto português com a eficácia do desporto dos demais países da UE (28) o resultado é, simplesmente, vergonhoso. Na realidade, os melhores resultados de sempre nuns Jogos Olímpicos da propaganda oficial devem ser cruzados com o nível de eficácia da representação olímpica numa relação das medalhas com o número de atletas que, em termos médio na UE (27), é de 12 atletas para cada medalha.
Se considerarmos o que se passou relativamente a cada país da UE (27) na relação número de atletas por cada medalha temos:  Alemanha (11); Áustria (11); Bélgica (17); Bulgária (7); Chipre (-); Croácia (7); Dinamarca (10); Eslováquia (10); Eslovénia (11); Espanha (19); Estónia (17), Finlândia (15); França (12); Grécia (21); Hungria (8); Irlanda (29); Itália (10); Letónia (17); Lituânia (42); Luxemburgo (-); Malta (-); Países Baixos (8); Polónia (15); Portugal (23 ou 31); República Checa (10); Roménia (25); Suécia (15). 
Quer dizer, a Bulgária foi o país que obteve a melhor eficácia com uma medalha por cada 7 atletas que competiram nos Jogos Olímpicos de Tóquio (2021). Portugal com Pichardo consegue uma performance de 23 atletas por medalha e sem Pichardo a mais do que medíocre relação de 31 atletas por medalha. Considerando que a Bulgária tem cerca de 30% menos população do que Portugal e que, segundo o Eurostat, o Estado búlgaro despende em recreação e desporto 21 euros por habitante enquanto Portugal despende  69 euros para, finalmente, constatarmos que a Bulgária ganhou 6 medalhas nos Jogos Olímpicos de Tóquio(2021) e Portugal ganhou (3+1) podemos aquilatar a fraquíssima eficácia do desporto português apesar das odes de Vítor Félix ao Primeiro Ministro e da incompreensível condecoração atribuída pela Presidência da República ao Presidente do Comité Olímpico de Portugal. 
Entretanto, de uma coisa podem os dirigentes políticos e desportivos estar certos, se continuarem com as mesmas lideranças a desenvolver acriticamente o modelo desportivo instituído em 2004/2005 pelos Governos de Durão Barroso (XV) e Santana Lopes (XVI) ao tempo em que era presidente do Instituto do Desporto de Portugal José Manuel Constantino e do Comité Olímpico de Portugal, Vicente Moura (Cf. (Contrato nº 872/2005 - Contrato-programa de desenvolvimento desportivo nº 48/2005), os resultados, com mais ou menos “portugueses de aviário”, vão continuar a ser cada vez mais caros e piores. 
Não há “odes pindéricas” nem condecorações presidenciais que salvem o desporto português. E porquê? Porque, como referiu Patrícia Mamona, o desporto tem Pátria. O problema é que, em Portugal, desde 2004/2005 está a ser promovida uma cultura desportiva com raízes ideológicas na antiga RDA, medíocre de lideranças, desumana e acefalamente chauvinista, em detrimento de uma cultura desportiva democrática, inteligentemente patriótica e genuinamente portuguesa ao serviço, em primeiro lugar, no respeito pelo princípio da igualdade, dos que mais necessitam e, em segundo lugar, no respeito pelo princípio da equidade, dos que mais rendem. Enquanto assim não acontecer, por mais odes que se catem, “honoris causa” que se atribuam, colares olímpicos que se forneçam, milhões de euros que se gastem, prosas politicamente corretas que se escrevam, jornalistas que se avencem  ou insultos que se propaguem, o desporto português ficará sempre em último lugar entre os vinte e sete países da União Europeia.


*Professor jubilado da Faculdade de Motricidade Humana

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