Labirinto

Por Alexandre Gonçalves*

Actores decorativos, e grupos de interesse e de pressão. Espaço público desenhado em texturas de conveniências. Mercado anárquico e dúbios privilégios fiscais. A globalização da rivalidade feroz.

Comunidades pouco inclusivas impregnadas de intelectuais e fundamentalistas da treta. Ser sem-abrigo é um modo de viver, inúmeras configurações de violência. Confundir amor com pornografia. É necessário escutar, não apenas ouvir.

Pardacentos processos de marginalização e de exclusão. Desigualdades económicas e ilegítimas oportunidades. Mérito nada apreciado, sombras nas janelas. Ilusionismo social, a ganância pelo poder que ofusca a razão e a vaidade da ciência.

A energia e os conflitos armados. Injusta repartição de riqueza, sociedade alvoraçada e iníqua. Grupos de interesse privado e a edificação do antagonismo social. O voto como forma exígua de participação política.

Nova cultura jurídica internacional e a indispensabilidade de avaliar os princípios constitucionais. Reorganizar políticas públicas e novos métodos de actuação dos Estados. Economia solidária com delicados critérios de significação. Urge reedificar, reestruturar e reformar.

Sistema capitalista e sociedade intrincada, espinhosa, consumista, fragmentada, artificial, segmentada e desproporcionada. O carácter universal dos direitos sociais diluído na sinuosidade da dissertação. Robustos encadeamentos entre a superfície mercantil e as organizações voluntárias. Políticas sociais pouco convincentes, cristalinas, planeadas, eficazes e activas.

Matar e violar crianças, a deserção do significado da palavra amar. Deixar morrer os doentes em corredores de hospitais e roubar indecentemente. Superfícies de saúde para alguns e parca humanização. Bater nos idosos e marginalizar cidadãos.

Educação franzina, violência em ambiente escolar, abandono escolar potencial e elevada taxa de iliteracia funcional. Colossal hiato que desvincula a teoria da realidade. Frágeis mecanismos pedagógicos de consciencialização. Extenso lodaçal do analfabetismo e da agnosia.

Sentir o chão estreito e a inexistência de comportamentos meditativos. A maldição do politicamente correcto. Despertar a fé através de mentiras e ausência de pátria, autonomia, sorriso e justiça. Eutanásia social, fruto da sociedade excludente.

Poluição sonora, visual e ambiental. A ostentação no Vaticano e a ditadura religiosa. Verbos-de-encher e corpos sem bússola. Venda de felicidade em lotes fora do prazo de validade.

Possuir é mais relevante do que ser. Dominar e algemar todos os limites temporais e geográficos. Pobreza, assédio, discriminação, pedofilia e abusos sexuais. Tráfico de pessoas, exploração sexual e universo da prostituição.

Ditadores inábeis e subúrbios sociais. Criminosos reincidentes e cadeias sobrelotadas. Medicamentos contrafeitos e arquitectar mentiras já com intenção. Aparências, hoje eu vou fingir.

A concorrência monopolística, o trabalho infantil e o trafico de drogas. Vampiros com pés de veludo e as lojas maçónicas. Espinhosa imperceptibilidade social. Vicissitudes da época digital e cinéreos conceitos de celebridade.

A especulação financeira, o preço do solo e o capital versátil. Ineficientes instrumentos de combate à corrupção e pensadores que pouco ou nada aprendem. Ostentação que infelizmente consegue credibilizar os cidadãos. Telas de encanto vazio.

 

 

 

*Escritor e Técnico Superior na Divisão de Educação

da Câmara Municipal da Guarda

 

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