II Guerra Mundial. Papel dos portugueses na resistência percorre a França

Um ciclo de conferências sobre os mais de 500 portugueses, que participaram na luta contra os nazis em França, tem percorrido o país, com descendentes a contarem a história destes resistentes.

“Tem sido uma revelação descobrir que havia mais de 500 resistentes portugueses. Esse é um elemento novo, porque a maior parte dos portugueses na resistência eram contabilizados ou como espanhóis ou como franceses, já que para terem o estatuto de resistente pediram a nacionalidade”, afirmou o vice-presidente do Comité Aristides de Sousa Mendes em Bordéus, Manuel Dias.
O ciclo de conferências, “Les étrangers dans la resistance: le cas des portugais”, organizado por este comité e pela Liga dos Combatentes e Resistentes Portugueses começou em outubro, em Angoulême, tendo já passado por Bordéus, Poitiers, Limoges, Bayonne e agora Hendaia, numa iniciativa apoiada pela região na Nova Aquitânia.
Fazem parte deste ciclo de conferências três investigadores: Cristina Climaco, professora na Universidade Paris 8, Marie-Christine Volovitch-Tavares, vice-presidente do Centro de estudos e pesquisa das migrações ibéricas, e Vitor Pereira, professor na Universidade de Pau, que tem contribuído para a identificação e estudo do papel dos portugueses na resistência.
Para Manuel Dias, o objetivo “não é colocar os portugueses num pedestal”, mas sim mostrar que os portugueses foram a terceira nacionalidade estrangeira mais envolvida na oposição à ocupação nazi em França, algo que “não faz sequer parte do imaginário” dos franceses.
Em diversas apresentações, como em Angoulême, Bordéus e Bayonne, descendentes destes resistentes portugueses têm vindo contar a história de pais e avós, muitos deles soldados da Primeira Guerra Mundial que acabaram por ficar em França ou portugueses identificados como espanhóis já que vinham dos combates da Guerra Civil.
“Muitos deles forma considerados como espanhóis, porque metade dos portugueses implicados na resistência em França vinham da guerra civil em Espanha, portanto, os franceses consideraram-nos como espanhóis”, indicou Manuel Dias.
Em 2019, José-Manuel Barata-Feyo publicou o livro “Sombra dos Heróis” (Clube do Autor), que relatava a história de quase 400 portugueses que lutaram contra a Alemanha nazi, tendo muitos deles integrado a resistência francesa. Este livro teve uma apresentação pública em França.
O Comité Aristides de Sousa Mendes e os investigadores em França querem continuar a contribuir para a divulgação do papel destes portugueses, com este ciclo de conferências a estender-se pelo menos até março, passando por Pau e Oloron-Sainte-Marie.
Até ao final do ano, vai ser organizada uma conferência no Museu da Resistência Nacional francês, em Champigny-sur-Marne, e também uma exposição que começará em Bordéus, podendo depois circular pelos liceus de toda a França.

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