Europa preparada para receber milhares de refugiados da Ucrânia

Vários países europeus, sobretudo os mais próximos da Ucrânia, estão já a receber ou preparam-se para acolher milhares de refugiados, na sequência do ataque russo iniciado na madrugada de quinta-feira em três frentes daquele país.

Logo nas primeiras horas do dia, várias centenas de pessoas — muitas das quais com nacionalidade romena – cruzaram a fronteira com a Roménia para se refugiarem em casa de amigos ou familiares ou mesmo nas suas próprias casas.
As autoridades locais instalaram uma infraestrutura móvel com capacidade para abrigar 200 pessoas deslocadas, se necessário, embora o Governo tenha anunciado que pode aumentar essa capacidade se for necessário.
A Roménia partilha uma fronteira de mais de 600 quilómetros com a Ucrânia, sendo que, de acordo com o último censo oficial, uma minoria histórica ucraniana de mais de 50.000 pessoas vive na Roménia, enquanto cerca de 400.000 pessoas que falam romeno vivem na Ucrânia.
Na vizinha Moldávia, cerca de 2.000 refugiados ucranianos cruzaram a fronteira este sábado, segundo o ministro do Interior moldavo, situação semelhante à que aconteceu na Eslováquia, onde engarrafamentos para cruzar a fronteira se formaram logo às primeiras horas da manhã.
A Eslováquia partilha com a Ucrânia uma fronteira de 97 quilómetros, sendo estimado que o país, de 5,3 milhões de habitantes, albergue cerca de 17 mil trabalhadores ucranianos.
Também a Polónia, onde vivem atualmente 250.000 ucranianos de forma permanente, se está a preparar para a possível chegada de milhares de ucranianos.
O Governo da Polónia garantiu recentemente que o país “pode assimilar” até um milhão de refugiados ucranianos e hoje, em Varsóvia, o porta-voz do Governo, Piotr Müller, assegurou que todos serão bem recebidos, pois “foram feitos preparativos” para a situação.
Ao mesmo tempo, a Cruz Vermelha polaca anunciou que está a finalizar os preparativos para estabelecer oito pontos de acolhimento de refugiados nas províncias do leste da Polónia.
A Polónia foi o país da UE que forneceu mais autorizações de trabalho para pessoas de países não pertencentes à UE nos últimos quatro anos consecutivos e desde o ano passado enfrenta uma vaga de imigração ilegal da Bielorrússia.
O anúncio das autoridades polacas surgiu ao mesmo tempo que, na Alemanha, a ministra do Interior afirmou estar “em estreito contacto” com a Polónia e com a Comissão Europeia para “coordenar a ajuda humanitária que pode ser prestada muito rapidamente”.
Já o ministro do Interior da República Checa, Vit Rakusan, assegurou que, caso cheguem mais de 5.000 refugiados, será necessário declarar estado de emergência no país.
Este número, considerado o limite viável por Praga, significaria uma “vaga migratória de grande envergadura” e exigiria a ativação de inúmeros recursos do Estado a nível central e regional, explicou o ministro.
Apesar de não ter fronteira com a Ucrânia, estão registados na República Checa cerca de 160 mil ucranianos, empregados sobretudo no setor da construção.
Embora também não faça fronteira direta com a Ucrânia, as autoridades búlgaras também mostraram hoje estar disponíveis para acolher os ucranianos que fogem do ataque russo.
“Dirijo-me a todos os búlgaros na Ucrânia, bem como a todos os cidadãos ucranianos que desejem solicitar asilo na Bulgária. Estamos abertos e faremos o possível não apenas para transportá-los para a Bulgária com segurança, mas também para fornecer toda a assistência necessária aqui”, assegurou o Presidente, Rumen Radev.
O Governo búlgaro disse que tem capacidade para acomodar entre 2.000 e 4.000 ucranianos, mas que esse número pode ser alargado.
Na Hungria, que tem 136 quilómetros de fronteira terrestre com a Ucrânia, os alertas sobre a possível chegada de milhares de refugiados ao país em caso de guerra já duram há vários dias e a televisão pública informou que muitos jovens já estavam a caminho.
O primeiro-ministro húngaro, o ultranacionalista Viktor Orbán, considerou que a vaga de refugiados desta guerra será pior do que a causada pelas guerras da década de 1990 na ex-Jugoslávia.
A Áustria, que tem “apertado”, nos últimos anos, a sua política de asilo para aqueles que fogem de conflitos na Ásia e no Médio Oriente, considerou que, neste caso, deve estar disponível para os refugiados.
“A situação na Ucrânia é diferente da de países como o Afeganistão. Trata-se de ajudar um vizinho”, avançou o chanceler federal, o conservador Karl Nehammer, ainda antes do início do ataque.
Entretanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu, no sábado, que a UE está “totalmente preparada” para receber eventuais refugiados ucranianos e agradeceu a cinco países — Polónia, República Checa, Roménia, Eslováquia e Hungria – a “vontade de proporcionar proteção imediata”.
Apesar da aparente política de “portas abertas” da UE e dos seus Estados-membros, a vaga de refugiados da Ucrânia, que já começou a formar-se, é “uma grave preocupação” para o alto comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi.
“Estamos seriamente preocupados com a rápida deterioração da situação e a ação militar em curso na Ucrânia”, afirmou hoje, em comunicado, acrescentando que “as consequências humanitárias para as populações civis serão devastadoras”.
“Não há vencedores na guerra, mas inúmeras vidas serão dilaceradas”, afirmou.
Segundo reiterou, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) “está a trabalhar com as autoridades, a ONU e outros parceiros na Ucrânia e está pronto para fornecer assistência humanitária sempre que necessário e possível”, estando também “a trabalhar com governos de países vizinhos, pedindo que mantenham as fronteiras abertas para aqueles que buscam segurança e proteção”.
A Rússia invadiu a Ucrânia, fazendo ataques aéreos em todo o país, incluindo na capital, Kiev, e avançando com forças terrestres em três frentes: a partir do norte, do leste e do sul do país.
A invasão foi explicada pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, com a necessidade de proteger civis de etnia russa nas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, que reconheceu como independentes na segunda-feira.
O Ocidente acusa Moscovo de quebrar os Acordos de Minsk, assinados por Kiev e pelos separatistas pró-russos de Donetsk e Lugansk, sob a égide da Alemanha, França e Rússia.

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