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O Primeiro de Janeiro

22 Jun 2022, 0:00

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Alojamento Local: Porto com verão quase lotado e preços mais altos

O mercado do Alojamento Local, penalizado pela pandemia, está a recuperar em força no Porto, com reservas entre os 80% a 90% para os meses do verão e preços a aumentar entre 10% a 40% face a 2019.
Judite Carqueja, proprietária e gestora de 29 unidades de Alojamento Local (AL) no segmento de luxo na Avenida da Boavista, uma das zonas nobres do Porto, adiantou à agência Lusa que os próximos meses de julho e agosto estão com reservas a rondar os 90%.
“Já estamos com quase 90% de ocupação em julho e agosto. O mercado do AL está a recuperar em força, com níveis idênticos aos de 2019 e com os preços ao mesmo nível ou, nalguns apartamentos de luxo, com preços superiores aos de 2019”, contou, explicando que tem alguns AL com características especiais, como ‘jacuzzi’ na varanda e jardim privado, sendo, precisamente, esses que têm mais procura pelos turistas.
Ricardo Guerreiro, da Nomad City Flats, com 35 apartamentos em regime de Alojamento Local na baixa do Porto, com tipologias de T0 a T3, também confirma que este ano as reservas começaram a ter “um excelente desempenho” desde março e acredita que as perspetivas são idênticas para os meses de verão, que começa hoje e se prolonga até 23 de setembro.
“Todos os meses têm sido muito fortes, com taxas de ocupação superiores a 80% e a previsão é que no verão também ronde os 80% a 90% de ocupação”, conta aquele responsável.
Os preços que a Nomad City Flats está a praticar também são mais elevados em comparação com 2019.
“Os preços estão superiores a 2019. O efeito da pandemia e da guerra fez com que haja uma maior procura”, explica, referindo que nalgumas tipologias, e dependendo da altura do ano, há aumentos de 30% a 40% face a 2019.
Nuno Ferreira, operador turístico na WinWin, que gere cerca de 50 apartamentos no coração da cidade do Porto, designadamente nas zonas do Coliseu, Ribeira, São Bento, Poveiros e Sá da Bandeira, conta que o negócio do AL ressuscitou em 2022, depois da crise no setor devido à pandemia da covid-19 e que o “regresso ao turismo está em força”.
As taxas de ocupação estão perto dos 80%, mas a expectativa é que entrem “várias reservas” para julho e agosto e possivelmente nessa altura rondará entre os 80% e 90% em geral, porque aos fins de semana é 100% a expectativa.
Relativamente a preços, estão iguais aos praticados em 2019 ou nalguns apartamentos estão acima dos valores pedidos antes da pandemia, entre os 10% a 20%.
“Isto tem a ver com a inflação, com a procura”, explica Nuno Ferreira.
Dados da Câmara do Porto avançados hoje à agência Lusa, entre janeiro e maio deste ano foram registados 648 AL, o que se traduz num total de 8.750 alojamentos locais na cidade, mais 2.117 face ao ano completo de 2019.
O mês mais forte de pedidos de registos de AL este ano foi o mês de maio, com 230. Em segundo lugar ficou o mês de abril com 153 pedidos de registos e em terceiro está o mês de fevereiro com 98. Março registou 89 novos pedidos de AL e janeiro 78 pedidos.
Em 2020, a Câmara do Porto contabilizava um total de 7.231 AL e em 2021 o número global registado foi de 8.102.
No que respeita a pedidos de cancelamentos e cessações de AL, a Câmara do Porto revela que recebeu 195 pedidos de cancelamentos e 485 cessações em 2020, o que dá um total de 680 AL que deixaram de estar no setor turístico.
Em 2021, o número de cancelamentos cifrou-se em 790 e o número de cessações de AL foi de 344, dando um total de 1.134 AL que deixaram o setor.
Na passada semana, em entrevista à Lusa a propósito da retoma atual do AL no Porto, o diretor e coordenador do Norte da Associação do Alojamento Local em Portugal, Nuno Trigo, disse que apesar de a ocupação “ainda estar um pouco abaixo de 2019” – entre os “5% a 10%” -, a verdade é que essa ocupação está já bastante próxima de 2019 em “alguns segmentos e em certos períodos do ano”.
“Temos a convicção que o AL no Porto vai e está a ser o motor da recuperação do turismo. Já antes da pandemia, a maioria das dormidas turísticas da cidade, mais de 60%, eram feitas em AL. Sem o AL não há capacidade para uma recuperação imediata do turismo ou mesmo da economia na cidade”, acrescentou Nuno Trigo.

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