Cidadãos brasileiros protestam contra uma conferência do ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga, sobre o tema “As ações do Brasil no enfrentamento da covid-19”, em frente à Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em Lisboa.
Marcelo Queiroga é um dos visados pela investigação da comissão parlamentar de inquérito que ao longo dos últimos meses avaliou falhas e omissões na ação do Governo brasileiro na gestão da pandemia de covid-19.
“Para nós é estarrecedor o ministro ser condecorado numa faculdade de Medicina importante como esta, dentro do hospital de Santa Maria”, disse a dirigente do Coletivo Andorinho Marisie Damin, uma das cerca de 40 pessoas que esta manhã se manifestaram junto à porta de entrada do hospital lisboeta.
“O ministro é um dos responsáveis pelas mais de 600 mil mortes, opôs-se e ainda se opõe hoje ao uso de máscara, que é o princípio básico da proteção [contra a covid-19]”, acrescentou a dirigente brasileira, salientando que “o ‘ministro da morte’ é indiciado por crime de negligência, no mínimo”.
A participação de Marcelo Queiroga numa conferência, a convite do presidente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tem sido muito criticada por alguns brasileiros residentes em Portugal, que consideram a presença do governante uma afronta às vítimas mortais da covid-19.
“As nossas preocupações são partilhadas pela maioria dos brasileiros, disso não tenho dúvida; as pessoas estão literalmente a morrer, além de morrer da doença, agora menos, é certo, morrem de fome e isso é resultado das políticas deste governo e da negligência”, disse a responsável.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à gestão da covid-19, a decorrer no Senado brasileiro, vota esta tarde o relatório final que pede o indiciamento do Presidente, Jair Bolsonaro, por nove crimes e o aprofundamento das investigações contra outros suspeitos.
Em comunicado publicado na página oficial da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), na qual se citam esclarecimentos do diretor da instituição, o professor Fausto Pinto, a faculdade justifica o convite ao ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Queiroga, como sendo de âmbito académico a “um médico cardiologista, ministro da Saúde dum país amigo”.