O ministro brasileiro da Saúde foi convidado “como académico” para uma conferência na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, escolhendo abordar o combate do Brasil à covid-19.
Em comunicado, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), na qual se citam esclarecimento do diretor da instituição, o professor Fausto Pinto, justifica o convite ao ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Queiroga, como sendo de âmbito académico a “um médico cardiologista, ministro da Saúde dum país amigo”.
“Vem visitar a nossa Faculdade, pelo que foi convidado, como académico, a proferir uma conferência, tendo escolhido o tema que entendeu. A Universidade será sempre um espaço aberto, sem tabus ou preconceitos”, lê-se no comunicado, publicado no ‘site’ da FMUL na sequência de vários contatos da comunicação social a questionar a confirmação da presença do ministro brasileiro.
Marcelo Queiroga é um dos visados pela investigação da comissão parlamentar de inquérito que ao longo dos últimos meses avaliou falhas e omissões na ação do Governo brasileiro na gestão da pandemia de covid-19, havendo a recomendação para que seja indiciado por dois crimes — prevaricação e epidemia com resultado de morte.
A visita do ministro brasileiro a Portugal – mas também ao Reino Unido, onde se desloca para visitas às universidades de Cambridge e Oxford e outras instituições, prevendo-se também a assinatura de protocolos — foi notícia na imprensa brasileira, com questionamentos sobre a manutenção do convite depois de terem sido conhecidas as conclusões da investigação da comissão parlamentar de inquérito (CPI).
Marcelo Queiroga profere na próxima terça-feira, na Aula Magna da Universidade de Lisboa a conferência “As ações do Brasil no enfrentamento da covid-19”.
A CPI da pandemia, que ao longo de seis meses investigou alegadas falhas e omissões do Governo brasileiro na gestão da covid-19, apresentou na quarta-feira o seu relatório final, em que pediu o indiciamento do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, por nove crimes, assim como de outras pessoas, incluindo ministros e três filhos do chefe de Estado.
A Bolsonaro foram atribuídos os crimes de prevaricação, charlatanismo, epidemia com resultado morte, infração a medidas sanitárias preventivas, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, falsificação de documentos particulares, crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade.
Face às acusações, Bolsonaro afirmou que ele e o seu Governo não têm culpa de “absolutamente nada” em relação ao agravamento da pandemia no país, que vitimou mais de 603.855 mil brasileiros e infectou outros 21,6 milhões.