OPINIÃO
Por Alexandre Gonçalves*

As contemporâneas necessidades energéticas mundiais ainda são satisfeitas, na sua grande maioria, pelo uso de energias não renováveis. Os três principais combustíveis fósseis, o petróleo, o gás natural e o carvão, são o primordial manancial de energia, tanto nos países desenvolvidos, como nos países em vias de industrialização, designadamente no ramo dos transportes rodoviários.

Durante um imenso período do século passado, o sistema internacional do petróleo foi administrado por um conjunto de companhias petrolíferas mundiais que inspeccionavam e controlavam a arte da exploração, da refinaria e da especulação. Será que os governos dos países desenvolvidos não continuam, de uma forma camuflada, a proporcionar uma atmosfera política e militar vantajosa a estas companhias?

Os países abastados em recursos naturais exploram e prodigalizam esses bens para enriquecer uma minoria, enquanto a corrupção e a nociva gestão depauperam a maioria da população. Alterar esta conjuntura é tarefa quase impossível, pois estes países, por não necessitarem de empréstimos das agências multilaterais, não estão sujeitos à clareza fiscal nem à transparência orçamentária.

As mais valorizadas democracias do mundo dependem da importação de petróleo e não empregam influências governamentais que exijam pureza nos costumes fiscais dos países ricos em recursos naturais. Cabe aos cidadãos desses países o comprometimento de pressionar os governos para que a transparência fiscal e os gastos públicos correspondam às expectativas da população. A própria comunicação social ainda enfrenta vários obstáculos aquando da realização de reportagens virtuosas sobre a gestão governamental das receitas geradas pelo petróleo.

A instabilidade económica pode despontar no molde da corrupção, nos empréstimos estrangeiros desmedidos, na taxa de câmbio sobrevalorizada, nos salários elevados e nas despesas desmesuradas efectuadas pelos governos. Quando os copiosos recursos naturais de um país causam deformação na economia e originam um aproveitamento pouco eficaz dos recursos, a imprecação dos mesmos sucede.

A alternativa para a redução do consumo de petróleo passa pela implementação e desenvolvimento das fontes opcionais de energia. Ao avaliar as alternativas energéticas temos que ter em consideração que estas requerem uma quantidade de energia maior para serem produzidas e encerram custos de produção mais dilatados. As energias alternativas, para serem verdadeiros sucedâneos do petróleo como fonte energética, necessitam que a energia consumida na sua fabricação seja manifestamente menor do que aquela que é produzida.

Por exemplo, podemos recordar qual foi o principal motivo para os ataques aéreos dos Estados Unidos da América, do Reino Unido, da Itália e da França contra o povo Líbio.

Infelizmente esses ataques nunca tiveram as configurações do humanitarismo, contudo será legítimo questionar o porquê de, por exemplo, no Iémen e no Bahrein não terem optado por o mesmo procedimento, uma vez que o seu povo estava a ser tão vilipendiado como o povo Líbio. Talvez a resposta seja desumana, bárbara e vil, mas a realidade é que no Iémen e no Bahrein não existem tão faustosas reservas de petróleo, e os interesses financeiros já estão “superiormente” acondicionados. Tudo bons amigos do petróleo, enfim, os suspeitos do costume.

Desafortunadamente, os tenebrosos interesses económicos sobrepuseram-se, uma vez mais, ao filantropismo. Será que aquilo que verdadeiramente veicula e importa ao sistema internacional não é o poder, a soberania, os interesses económicos e os grandiosos impérios?

Ainda há países que lamentavelmente não encerram o mais ínfimo pedaço de pudor e imaginam, com alucinação à mistura, que desfrutam de alguma autorização e representação sobrenatural para “encanar” a água suja nas outras nações, principalmente naquelas que agasalham gigantescos depósitos de crude.

Estamos nas mãos de incapazes, de corruptos, de intrujões, de impudicos, de finórios, de desavergonhados, de tiranos invisíveis, de levianos, de pessoas que somente defendem os obscuros interesses privados, de manipuladores, de indivíduos que enfeitam o vértice social mais libertino, de ditadores modernos e de figuras sem sentimento de pertença pelo seu povo. Com esta conjuntura torna-se demasiado simples, para os governos desses países hegemónicos, adoptar a sombria deliberação de colocar o seu arsenal bélico sobre as nações mais “franzinas”. Petróleo amaldiçoado que se ramificou, e continua a ramificar, demais na “sagacidade” dos proprietários do mundo.

*Escritor e Técnico Superior na Divisão de Educação da Câmara Municipal da Guarda