A situação económica e financeira da Efacec agravou-se nos últimos meses e a empresa detida em 71,73% pelo Estado volta a viver uma situação de quase paralisação da sua actividade produtiva, por falta de dinheiro para pagar a fornecedores. O financiamento de 70 milhões de euros assegurados pelo Estado já se esgotou e a banca recusa-se a conceder novo crédito. É neste contexto, a que se junta uma “surpresa negativa” nas contas de Julho e Agosto, que os únicos dois candidatos à sua compra, os grupos nacionais DST e Sing SGPS, ajustam as propostas.
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras e Energia (Site-Norte) reclamou hoje que o Governo intervenha, enquanto “dono da Efacec”, para garantir que a empresa dispõe das matérias-primas necessárias para retomar a atividade com normalidade.
“Isto é algo que nós estranhamos bastante, porque não pretendemos que o Governo ponha lá dinheiro e que não queira saber para onde ele vai. Isto é uma empresa do Estado e o que nós defendemos é que a Efacec deve continuar na esfera do Estado e o Governo disponibilizar uma verba para comprar matérias-primas, mas ter o controlo dessa verba e fiscalizar para onde vai o dinheiro”, afirmou Miguel Moreira.
Salientando que sindicatos e trabalhadores estão “muito preocupados e apreensivos”, o dirigente do Site-Norte alerta que “a Efacec, assim, não vai lá” e admite: “Se calhar, a intenção do Governo — como já aconteceu com outras privatizações – é por a Efacec numa situação difícil, fragilizada, para depois vender isto por ‘tuta e meia’.
O Site-Norte sustenta que “a Efacec não é uma empresa qualquer” e “faz falta ao país e, em particular, ao Norte”.
“Onde é que está o dinheiro” do financiamento de 70 milhões de euros que o Estado assegurou junto da banca e pede respostas “ao ministro da Economia e ao primeiro-ministro”, questions Miguel Moreira.
A aprovação em Conselho de Ministros do decreto de lei para nacionalizar 71,73% do capital social da Efacec decorreu da saída do capital de Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, na sequência do envolvimento no caso ‘Luanda Leaks’, no qual o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou mais de 715 mil ficheiros que detalham alegados esquemas financeiros da empresária.