OPINIÃO
Por Gustavo Pires*

Nos últimos meses, o Sr. José Manuel Constantino, identificado como Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), tem vindo a publicar em vários órgãos da comunicação social uma série de artigos de opinião em matéria de desenvolvimento do desporto nacional onde, de uma maneira geral, procura explicar aquilo que o desporto nacional devia ser, mas não é. Tem todo o direito de o fazer e até gostaríamos que o tivesse feito com a mesma frequência e explicitude em que agora o faz, ao longo dos últimos nove anos. Todavia, qualquer terráqueo deste jardim à beira-mar desgraçado, minimamente interessado nas questões do desporto, ao ler os textos do Sr. Constantino, não pode deixar de se interrogar se ele não acabou de aterrar no planeta Terra depois de uma viagem interplanetária de 20 anos. Na realidade, o Sr. Constantino, na prosa dos seus textos, não devia ignorar que, ao longo dos últimos vinte anos, ocupou durante cerca de catorze posições de grande relevância e poder no Sistema Desportivo nacional. O Sr. Constantino foi presidente da Confederação do Desporto de Portugal (CDP) de 2000 a 2002, foi presidente do Instituto do Desporto de Portugal (IDP) de 2002 a 2005 e é presidente do COP desde 2013. Por isso, é inacreditável que o Sr. Constantino, ao cabo de nove anos em que, numa liderança verdadeiramente partilhada principalmente com as Federações Desportivas, podia ter idealizado e executado tantas medidas portadoras de futuro e tomado inúmeras posições promotoras de cultura e desenvolvimento e não o fez, venha, agora, com as chaves na mão que solucionam todos os problemas. A ideia com que fico, é que o Sr. Constantino nunca foi capaz de compreender que um Comité Olímpico Nacional (CON) não é uma qualquer repartição da tutela político-administrativa do Estado, não é uma secção dos serviços de desporto de uma Câmara Municipal, não é um Instituto Público do Desporto, não é uma Secretaria de Estado ou Ministério do Desporto. Um CON é uma organização com uma história e uma cultura próprias que, devido precisamente a estas circunstâncias, algumas com milhares de anos, expressas na Carta Olímpica, é objeto de legislação própria nos mais diversos países do mundo. Mas, o mais lamentável é que o Sr. Constantino também nunca compreendeu que a liderança de um CON não é um jogo individual é um jogo coletivo de competências, responsabilidades e decisões partilhadas. Por tudo isto, é incompreensível que o Sr. Constantino venha, à última da hora e com tanta sapiência, explicar ou sugerir o que quer que seja relativamente ao desporto nacional. Durante nove anos teve inúmeras oportunidades de partilhar os seus sentimentos, preocupações e projetos com o Movimento Olímpico português. Porque é que não o fez? Agora, quanto mais explica e sugere mais revela o fracasso que foi a sua liderança. – Sr. Constantino, “The game is over”.

*Professor jubilado da Faculdade de Motricidade Humana

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