O Centro Português de Fotografia (CPF) no Porto apresenta a exposição “My Mind is a Cage”, de Roger Ballen.
Está a decorrer até ao dia 10 de outubro, no Centro Português de Fotografia (CPF), no Porto, a exposição “My Mind is a Cage“, do aclamado fotógrafo norte-americano Roger Ballen, com curadoria de Ângela Ferreira. Trata-se de uma exposição inédita em Portugal que apresenta as principais séries do autor, realizadas entre 1980 e 2020, e que mostra algumas imagens iconográficas da sua trajetória artística de quase 50 anos, transportando o visitante para um enigma de metamorfoses reais e simbólicas.
Roger Ballen é conhecido por evocar o absurdo da condição humana e por criar imagens perturbadoras e inesperadamente familiares que são o reflexo de uma jornada psicológica e pessoal pelos interstícios da mente. Ao longo da sua carreira, somam-se imagens icónicas que realizou em lugares ruinosos, habitados por pessoas que vivem de forma extrema à margem da sociedade. O objetivo de Ballen sempre foi o mesmo: questionar o significado da existência humana. Para Ballen, a “arte mais importante é aquela que se implanta dentro do subconsciente humano”, segundo as palavras da curadora Ângela Ferreira.

Uma viagem às profundezas da mente
A exposição explora temas e séries enigmáticos do artista e dá a conhecer cerca de 50 imagens, vídeos e desenhos de Roger Ballen. Esta é uma produção única e experimental exclusivamente projetada para o CPF e parte de um sonho antigo do autor em apresentar a obra nas distintas celas do edifício da Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, sendo ali criada uma verdadeira experiência imersiva, com a divisão das celas em quartos de prisioneiros que albergam as várias séries do autor. “A partir da metáfora da mente como uma prisão, o observador é guiado por uma jornada mental da escuridão à luz”, segundo a descrição do artista.
Apesar da diversidade da obra de Ballen, as suas fotografias mantêm unidade ao serem tanto associadas à estética do grotesco, quanto impregnadas de surrealismo. No universo que o próprio designa de “Ballenesque”, as imagens conduzem-nos para uma galeria submersa, tanto psicologicamente como geologicamente, albergando uma coleção de sombras e vestígios de um tempo perdido e de um lugar secreto.
Nos primeiros trabalhos em exposição, a sua ligação à tradição da fotografia documental é notória, mas ao longo dos anos 90 desenvolve um estilo que descreve como “ficção documental”. A partir de 1995, com a série “Outland”, Ballen passou a desenvolver imagens fundamentadas nas teorias junguianas, que resultaram no que seria a principal transformação no seu trabalho, quando deixou a fotografia documental para investir na criação de imagens híbridas que mesclam realidade e ficção, o documental e o teatral, o “simples” retrato e o “tableau”, como meio de autodescoberta e autocompreensão.
No ano 2000, as primeiras pessoas que descobriu e documentou a viver à margem da sociedade sul-africana tornaram-se progressivamente o elenco de atores com quem Ballen trabalhou na série “Outland” (2001) e “Shadow Chamber” (2005), colaborando na criação de perturbadores psicodramas. A linha entre fantasia e realidade nas séries “Boarding House” (2009), “Asylum of the Birds” (2014), “Ballenesque” (2014) e “Theatre of Apparitions” (2016) tornou-se cada vez mais indefinida e o autor passou a utilizar desenhos, pinturas, colagens e técnicas de escultura para criar cenários elaborados e complementados pelos imprevisíveis comportamentos dos animais que aparecem fotografados num instante de observação. À questão da busca do significado da fotografia, o autor afirma que é “um fim sem fim”, um quebra-cabeças sem solução. Mas enquanto permanecer a trabalhar, vai continuar a procurar respostas e novos caminhos para expressar as suas visões.
“My Mind is a Cage”, no Centro Português da Fotografia, Porto, promete causar desassossego e reflexões inquietantes sobre as profundezas e os labirintos da mente.

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