O apuramento de Portugal para o Euro2020 de futebol serviu de desculpa para improvisar um São João nas ruas do Porto. Com as coletividades e os festejos oficiais encerrados muito antes do início do jogo, foi nas esplanadas que se inventou a festa. Se há um ano o comportamento dos cidadãos do Porto foi destacado como exemplar, desta vez os ajuntamentos foram grandes — e as máscaras uma opção.
Se em 2020 as ruas estavam na sua maioria desertas e sombrias, a noite deste 23 de junho, à boleia do jogo que Portugal empatou com a França, a cidade deu mostras do outro tempo.
Quando o jogo começou, às 20 horas, já os festejos oficiais do São João tinham terminado nos três pontos de diversão espalhados pela cidade. Os carrosséis deixaram de dar voltas às 18 e já desde as 17:30 que ninguém podia entrar nos restaurantes dos recintos das Fontainhas, Lordelo do Ouro e Boavista.
Sem a festa do santo, inventou-se a festa da bola.
Quando o jogo terminou, aí sim, a festa arrancou. Tal como num São João normal, começaram a lançar-se fogos um pouco por todo o lado nas encostas do Douro.
Perto da meia-noite, na Cordoaria, o SARS-CoV-2 parecia suspenso. Grupos de pessoas, jovens e não só, segurando numa mão o martelo, na outra o copo, e no queixo (ou no braço — ou no bolso) a máscara, celebravam qualquer coisa.
À meia-noite, quando as esplanadas começaram a encerrar, a PSP teve mesmo de “varrer” os festeiros. A tentativa de dispersar os ajuntamentos teve, contudo, apenas o efeito de os deslocar para outro lado.
“Das pessoas que aqui estão, 60% serão portuenses e os restantes estrangeiros, sendo que uma parte são estudantes de Erasmus”, disse aos jornalistas o subcomissário Eduardo Alexandre, da PSP.
Num balanço feito pouco antes da meia noite, a PSP contava quatro autos de contraordenação por consumo de bebidas alcoólicas na via pública e três por falta de máscara até às 23:00.
“Muito provavelmente, no resto da noite, vai haver uma espécie de jogo do gato e do rato, com as pessoas a rumarem ao Passeio das Virtudes, depois à zona da Ribeira, sendo que vamos distribuir os nossos meios de acordo com aquilo que achamos vai acontecer”, disse.
O graduado da PSP do Porto admitiu estarem “à espera que pelas 02:00 as pessoas percebam que não vão ter muita sorte nos sítios para onde fugirem, pois irão encontrar lá a polícia”.
“Temos praticamente todas as valências da PSP empenhadas neste evento, desde as equipas de Intervenção Rápida, as Forças de Reação Imediata, o Corpo de Intervenção”, descreveu.

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