Joaquim Jorge dignou-se aceitar concorrer à presidência da Câmara Municipal de Matosinhos e é, neste momento a grande esperança dos matosinhenses na recuperação da política de progresso e desenvolvimento perdida.

Ninguém o acusará de buscar uma satisfação para a sua vaidade, por que raros homens se têm mostrado mais modestos do que ele – talvez pelo facto de ser um espírito culto, especializado nos problemas do seu concelho. Não lhe falta a competência, a honradez, nem a coragem para resistir a pressões de interesses ou de arruaças.
Será bem sucedido na sua tentativa para restabelecer na sociedade a confiança perdida por anos de esbanjamento e desacerto na gestão dos dinheiros públicos?
Para respondermos a esta pergunta, torna-se necessário que digamos o seguinte: a obra dum presidente de câmara, para alcançar êxito, carece do apoio da população, representada pelas forças vivas, pelas suas classes laboriosas, pelos seus valores espirituais.
Julga, porventura alguém que existe sequer a possibilidade da inversão de desmandos e arbitrariedades em curso, sem ofender, sem atingir os tentáculos dos vários polvos que, na sombra ou na lama, sugam os nossos recursos?
Joaquim Jorge, que é precisamente o contrário dum demagogo, à espera da inspiração da rua, também não se verga a imposições plutocráticas, visto que a sua consciência de homem livre faz com que não alinhe em negociatas e cambalachos.
Que o povo simples, honesto e capaz de compreender secunde e aplauda a sua obra, eis o que não nos oferece dúvida. Mas farão o mesmo os outros – os que não consentem que caia uma simples pedra no pântano de águas corruptas em que eles prosperam e apodrecem?
É natural que estes, dentro de pouco, comecem a bradar reclamando providências urgentíssimas, contra a inação e a incúria dum presidente que, recebido como uma esperança, não resolve a nossa crise no espaço de vinte e quatro horas.
Esteja o povo bem atento e terá muito que notar.
E para não ser vítima de largos arranques de indignação das claques subsidiadas pelos praticantes das indústrias aventureiras, lembremo-nos de que a retoma do rumo de progresso e desenvolvimento de outrora, exige longos e penosos esforços, estudos aturados e medidas cujo efeito não poderá ser repentino.
Não peçamos a Joaquim Jorge o milagre da multiplicação dos pães. Limitemo-nos a confiar nele e a dar-lhe o nosso aplauso, todas as vezes que o virmos exposto a calúnias e aos ataques dos mais ferozes inimigos.
Na hora em que os egoísmos imperam despejadamente recorrendo a todos os meios, não deixa de ser merecedor de admiração o espetáculo oferecido por um homem só, que com a sua boa vontade e desinteresse, prepara a cruzada de devolver Matosinhos aos matosinhenses, gerir com acerto os dinheiros públicos e varrer a agiotagem das posições ocupadas por artes que o diabo sugere.
Para que amanhã não surja quem o acuse de ser uma esperança inútil, ousamos recomendar aos verdadeiros matosinhenses que se acautelem para que não se sussurre mais tarde:
“Joaquim Jorge perdeu-se por que quis governar com seriedade e justiça”!

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