O valor da capitalização extra do Novo Banco que o Estado acordou com a Comissão Europeia no âmbito da venda do banco à Lone Star vai até aos 1.600 milhões de euros, de acordo com a auditoria do Tribunal de Contas (TdC) divulgada esta segunda-feira.
O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, disse esta segunda-feira que a conclusão do Tribunal de Contas (TdC) de que o impacto na sustentabilidade das contas públicas não foi minimizado com o processo do Novo Banco “não colhe”.
“A conclusão não colhe, na medida em que é manifesto que o impacto na sustentabilidade nas contas públicas foi mesmo minimizado, desde logo ao evitar-se a liquidação do BES ou do Novo Banco”, afirmou Mário Centeno em conferência de imprensa, no Banco de Portugal, em Lisboa, sobre a auditoria do Tribunal de Contas ao Novo Banco, conhecida esta segunda-feira.
Segundo o governador, o impacto nas contas públicas “foi também minimizado pela imputação máxima de perdas aos acionistas e aos credores do BES e através de perdas adicionais pelas perdas dos credores do Novo Banco no seu processo de venda através do exercício de gestão de passivos que foi implementado em setembro e outubro de 2017”.
Mário Centeno indicou que o Estado “teve uma poupança estimada de dois mil milhões de euros anuais com esmagamento dos diferenciais de juros face aos outros países”, realçando ainda ganhos para empresas e famílias, uma vez que “o endividamento privado é bastante superior ao endividamento público”.
O governador do BdP recusou ainda as conclusões da auditoria que referem falta de transparência no processo de venda do Novo Banco.
“Se de facto há algo que não faltou a este processo de venda foi escrutínio e auditorias”, disse Centeno considerando que a do Banco de Portugal é “uma das mais importantes”.
Questionado sobre os 1.600 milhões de euros, referidos na auditoria, relativos ao valor da capitalização extra do Novo Banco que o Estado acordou com a Comissão Europeia no âmbito da venda do banco à Lone Star, o governador do BdP disse que “a melhor estimativa para a chamada do ‘backstop’ é zero euros”.
“Sobre o ‘backstop’ eu quero deixar claro que é um cálculo em cima de um cenário da Comissão Europeia durante o período de reestruturação”, explicou Centeno, acrescentando que “esse compromisso só vale durante o período de reestruturação, porque assume-se que depois da reestruturação o banco é viável”.

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