OPINIÃO
Por Alexandre Gonçalves*

Os baloiços deixaram de ser uma brincadeira exclusiva das crianças. Já não são, unicamente, memórias da nossa infância. Estão deveras equivocados aqueles que pensam que os baloiços são coisas de crianças. Os adultos, e de modo a desfrutarem de paisagens amplas, agradáveis e pigmentadas, também perfilham os baloiços.
Os baloiços panorâmicos convidam às mais inimagináveis fotografias sobre vistas fantásticas de cortar a respiração. Funcionam como uma espécie de regresso à infância num cenário de inúmeras e sumarentas memórias sensoriais de um tempo em que as preocupações não existiam ou eram franzinas.
Em alguns dos mais sublimes locais de Portugal, já podemos encontrar baloiços panorâmicos. Há quem percorra, nomeadamente os enamorados pela “fotografia perfeita”, centenas de quilómetros para usufruírem, enquanto balançam ao som da natureza e ao ritmo do vento, das melhores vistas. Contudo, a experiência vai muito para além da “fotografia perfeita”, e somente aqueles que baloiçam o seu corpo nestes lugares excepcionais e mágicos compreendem a autêntica essência e fragrância dos mesmos. Memoráveis sensações de liberdade! Paisagens de tirar o fôlego! Vistas realmente avassaladoras! Aproveitar a brisa no rosto!
O período de confinamento talvez tenha descoberto e promovido os contextos necessários à disseminação dos baloiços. O tempo acabou por dar tempo à criatividade e à imaginação para seleccionar os locais de rara beleza e aí construir os baloiços. Na verdade, os visitantes deslocam-se pelo desejo de ir para fora cá dentro, conhecer locais plácidos, conviver com a natureza e fazer actividades ao ar livre.
É fundamental, e mais fácil, recarregar as energias em lugares maravilhosos e surpreendermo-nos com espaços recônditos que, muito provavelmente, nem sabíamos que existiam ou que, pura e simplesmente, tinham caído no esquecimento.
As fotografias, partilhadas amiudadamente nas redes sociais, não necessitam de filtros para serem consideradas, e por unanimidade, de uma beleza extraordinária. Os baloiços, e as consequentes fotografias, são um verdadeiro fenómeno nas redes sociais, podendo, as mesmas, ser saboreadas como fidedignos e importantes bilhetes postais de uma região. Um autêntico sucesso!
Aldeia Velha, no Concelho do Sabugal, tem agora um baloiço turístico, o Baloiço Arraiano, na forma de um Forcão, localizado na Serra do Homem de Pedra, junto à Capela de Nossa Senhora dos Prazeres e às ruínas do Sabugal Velho. O Baloiço Arraiano é um projecto magnífico da Junta de Freguesia de Aldeia Velha, do Centro Recreativo e Cultural de Aldeia Velha e do Conselho Directivo dos Baldios. Excelente “iniciativa”! Os espanhóis também vão ficar encantados!
De entre todos os baloiços existentes em Portugal, uns passam mais despercebidos do que outros, porém o “Baloiço Forcão”, até porque representa a “nossa” alma identitária, tem tudo para deixar uma “marca forte” e ser uma referência no País. Os promotores do Baloiço Arraiano podem não ter sido os pioneiros na construção de baloiços, mas a ideia é magnânima.
No Alto da Machoca, Freguesia de Quadrazais, também existe um baloiço panorâmico, assim como em Badamalos e Seixo do Côa, este último tendo como entidade promotora a Junta de Freguesia da União das Freguesias de Seixo do Côa e Vale Longo. Os impulsionadores dos baloiços panorâmicos no Concelho do Sabugal estão seguramente de parabéns. Projectos de parco investimento, repletos de identidade e com retorno imediato!
Os baloiços panorâmicos valorizam os territórios e têm forçosamente de constituir uma tela de atracção turística. Talvez sejam um motivo suplementar para as pessoas conhecerem e visitarem o interior do País. Espero que as Câmaras Municipais estejam à altura de promover, de modo a trazer gente, estas e outras iniciativas que possam surgir. Será que a criação de roteiros, que tenham os baloiços turísticos e as vistas panorâmicas como protagonistas, não é uma excelente ideia?

*Escritor e Técnico Superior na Divisão de Educação da Câmara Municipal da Guarda

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