O país poderá ultrapassar os 120 casos por 100 mil habitantes nas próximas duas semanas, algo que empurraria Portugal para a zona de risco da matriz do desconfinamento, indicam as previsões de Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Este é um dos indicadores de risco definidos pelo Governo para assegurar a segurança na reabertura de negócios e outras actividades.
Na manhã desta terça-feira, na reunião de peritos que se realiza no Infarmed, o especialista fez uma avaliação regional deste indicador, que deve ficar abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes, o limite traçado pelas autoridades de saúde.
“No país, com este nível de crescimento e taxa próxima de 71 casos por 100 mil habitantes, o tempo para chegar à linha dos 120 está entre duas semanas e um mês. Este mesmo valor pode ser observado na região Norte e no Alentejo, que estão identificadas com uma velocidade de crescimento e taxa de incidência que levarão entre duas semanas e um mês [a atingir] os 120 casos por 100 mil habitantes. A região do Algarve já atingiu esse valor e as regiões da Madeira e Açores também”, resumiu Baltazar Nunes.
O investigador revelou ainda que o índice de transmissibilidade da covid-19 tem registado um “aumento sistemático” nas últimas semanas, sendo este indicador um dos que terão impacto no avanço, paralisação ou reversão das medidas de desconfinamento.
O epidemiologista do Instituto Ricardo Jorge revelou também que a vacinação já teve um impacto directo nos números da pandemia: Baltazar Nunes aponta que a inoculação tem sido fundamental para reduzir o número de internamentos e casos mais graves.
Segundo revelou António Costa, a entrada na “zona vermelha” da matriz de risco poderá levar a um novo encerramento de estabelecimentos e a um regresso às medidas restritivas. “Se chegarmos à zona vermelha, temos de voltar para trás”, resumiu.

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