O grupo de trabalho que o Município do Porto integra, e que liderou, concluiu recentemente o estudo sobre a Via de Cintura Interna (VCI).
A eliminação de pórticos na A4 e a introdução de pórticos dissuasores no acesso à VCI através da A3 e da A28 são algumas das propostas em cima da mesa.
Foi na tranquilidade da Quinta dos Cónegos que decorreu o encontro marcado para a tarde desta sexta-feira. Relativamente perto da VCI, mas suficientemente apartada do rebuliço do tráfego automóvel, o lugar que hoje pertence ao Município da Maia enquadrou o cenário para uma reunião com propostas concretas para melhorar o estado da arte desta via estruturante da coroa da Área Metropolitana do Porto.
Do relatório apresentado pelo grupo de trabalho ao governante e autarcas presentes – entre eles o presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago (anfitrião da iniciativa), o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro – foram identificadas 27 medidas distribuídas por três áreas temáticas: gestão de portagens, melhorias da infraestrutura e gestão da Infraestrutura.
No que respeita à gestão de portagens, o grupo de trabalho propõe “a eliminação de pórticos na A4, por forma a inibir o recurso à VCI como via de passagem e atravessamento”, revelou o porta-voz do grupo, Manuel Paulo Teixeira, diretor municipal da Mobilidade e Transportes da Câmara do Porto. Segundo o responsável, o grupo acredita que, desta forma, criam-se novas alternativas à circulação automóvel, que “complementadas com a introdução de pórticos dissuasores no acesso à VCI através da A3 e da A28 irão permitir uma redução de tráfego, nomeadamente do trafego de pesados nesta via”, esclareceu.
Para além desta proposta, o leque de medidas apresentadas inclui a análise de cenários de alteração de portagens para desincentivar o uso abusivo da VCI, com o intuito de evitar o pagamento noutras vias, nomeadamente a A41 e a A4. Estão igualmente identificadas melhorias de sinalização de orientação em vários pontos, inclusive melhorias das pinturas e inscrições de segregação de vias na aproximação e saídas dos nós.
Das 27 medidas apresentadas, que também contaram com a colaboração de Cristina Pimentel, vereadora de Transportes da Câmara do Porto, presente na reunião, o documento indica que cerca de 16 são referentes a intervenções para melhoria da infraestruturas no curto e médio prazo. Neste particular, o valor estimado de investimento cifra-se na ordem dos 1,5 milhões de euros, a suportar pela IP – Infraestruturas de Portugal e pelo Município do Porto.
Recorde-se que o grupo de trabalho foi criado após insistência de Rui Moreira, que, em setembro do ano passado, voltou a colocar o problema da saturação da VCI na agenda mediática. As medidas apresentadas para melhorar a fluidez de trânsito centram-se, essencialmente, em três objetivos: redução do número de veículos pesados; redução do número de acidentes com e sem vítimas; melhoria dos níveis de serviço da infraestrutura viária.
Segundo os dados mais recentes, a carga de tráfego na VCI é cerca de sete vezes superior à da CREP – Circular Regional Externa do Porto: aproximadamente 112.000 veículos/dia versus 17.000 veículos/dia).

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