O BE perguntou hoje ao Governo se deu aval ao aumento de salários, “para quase o dobro”, de três administradores da TAP e se está disponível para rever a decisão.
Numa questão enviada para o Ministério das Infraestruturas e Habitação, através do parlamento, os bloquistas consideram que “não é compreensível ou aceitável que se estejam a prever cerca de 2.000 despedimentos e reduções salariais de 25% aos trabalhadores e, ao mesmo tempo, se decidam subidas salariais na administração”.
“Não se podem pedir todos os sacrifícios aos trabalhadores, enquanto os elementos da administração, que auferem salários muito acima da média da empresa, veem o seu rendimento aumentado de forma substancial”, argumenta o Bloco de Esquerda.
Os bloquistas questionam se o ministério tutelado por Pedro Nuno Santos “deu o aval à decisão de subida salarial dos três membros do conselho de administração”.
Ao lembrarem que o ministro das Infraestruturas “referiu, no parlamento, que iriam verificar possíveis “mordomias” na administração e que os cortes salariais seriam transversais à empresa”, o BE pergunta a Pedro Nuno Santos “como explica esta decisão?”
“Está o Governo disponível para rever esta decisão?”, é a última das questões colocadas pela deputada Isabel Pires.
A decisão do aumento dos três administradores “para quase o dobro” terá, segundo o Bloco, sido “tomada em outubro pela Comissão de Vencimentos da TAP, onde o Estado não está representado, mas à qual terá dado o seu aval”.
“Está em causa o salário de Ramiro Sequeira, que passa de 17 mil euros para 35 mil euros brutos (com efeitos retroativos a setembro, quando foi nomeado CEO interino). Mas também de Miguel Frasquilho, que passa de 12 mil euros para 13,5 mil euros brutos por mês e de Alexandra Vieira Reis, que passa de 14 mil euros para 25 mil euros por mês”, indica a deputada bloquista.
Isabel Pires conclui o texto sublinhando que plano de reestruturação da TAP “terá consequências sociais altamente prejudiciais para milhares de trabalhadores e respetivas famílias, sem referir que a empresa corre o risco de ficar diminuída a tal ponto que possa vir a ter muita dificuldade no momento de retoma da sua atividade”.

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