O deputado social-democrata António Maló de Abreu esteve na zona moçambicana de Cabo Delgado, que está a ser palco da ameaça terrorista. Defende que Portugal tem de fazer mais e que pode interceder pelo “país-irmão” internacionalmente.

António Maló de Abreu, deputado do PSD, acaba de regressar a Portugal depois de 10 dias em viagem no norte de Moçambique. Esteve uma semana em Cabo Delgado, onde contactou com as populações vítimas dos ataques recentes naquela região, e, em declarações à TSF, admitiu não voltar nada tranquilo com a situação.
“Venho muito preocupado com a situação em Cabo Delgado”, confessou. “É uma situação grave, dramática, a aproximar-se dos 600 mil refugiados, deslocados.”
Maló de Abreu recorda que, no país, está a chegar a época das chuvas, uma altura “muito difícil, que traz doenças, como a cólera, que vão afetar estas pessoas” deslocadas das suas casas.
“Preocupa-me muito a questão humanitária. Temos de estar muito atentos e dar a Moçambique o apoio humanitário possível, para ajudar a minimizar esta situação dramática em que se encontra”, afirmou.
Nesta altura, é certo o apoio logístico, de organização e de formação, por parte das forças armadas portuguesas a Moçambique. Isso mesmo foi garantido pelo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, depois da visita a Maputo, na última semana.
Mas, para Maló de Abreu, a cooperação anunciada “peca por tardia”. “A situação arrasta-se, em termos de confrontos no terreno com maior gravidade, há já três anos. Devíamos ter sido mais céleres”, notou.
Até agora, Moçambique não pediu o envio de tropas para o terreno, e isso impede outro tipo de missões.
“Moçambique tem de nos dizer com clareza a ajuda de que precisa”, alertou. “Podemos interceder junto da União Europeia e das Nações Unidas. Penso que aqui, mais do que o apoio bilateral, pela complexidade do problema e pelo volume de deslocados, é necessária uma cooperação multilateral”, defendeu.
O deputado considera, no entanto, que Cabo Delgado tem de mobilizar Portugal, assim como Timor mobilizou, há duas décadas.
“Nós, enquanto povo e enquanto país, já o fizemos noutros momentos. Lembro-me de Timor, foi uma magnífica ajuda que demos ao povo de Timor, e agora temos aqui uma obrigação para com a gente do Norte de Moçambique e julgo que vamos cumprir o nosso desígnio. Gostava muito de ver uma onda de solidariedade para com um povo-irmão que precisa da nossa ajuda”, concluiu.

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