O “La Voz de Galicia” apresentou este domingo, na sua edição em papel e online, o resultado da entrevista que fez ao presidente da Câmara do Porto, na Corunha. Ao maior jornal do norte de Espanha, Rui Moreira revelou que propôs ao presidente do Governo Regional da Galiza, Alberto Núñez Feijóo, uma colaboração estreita entre os aeroportos do Porto e de Santiago de Compostela. O autarca defende também uma nova ferrovia entre a Região Norte de Portugal e a Galiza, ligação que deve ser considerada no trajeto para Madrid.
À margem da conferência “Galiza e Portugal – novos laços”, que decorreu na passada sexta-feira, Rui Moreira foi entrevistado por Carlos Punzón, jornalista que tem acompanhado, do outro lado da fronteira, o desenvolvimento do Porto nos últimos anos, tendo inclusive descrito a cidade, em 2018, como “a grande urbe do noroeste peninsular”.
É sobre o tema das acessibilidades que inicia a conversa. Rui Moreira demorou “quase quatro horas” na viagem de carro do Porto à Corunha, responde. O problema, diz o autarca, está na deficiente ferrovia portuguesa, que não só estagnou a ligação entre Porto-Lisboa nas últimas décadas, como é ainda muito ineficiente a norte. “Em Portugal, não há comboio” e “para o norte é pior, é uma tragédia impossível até a fronteira, é como o faroeste. Isto tem de ser mudado”, declara.
No ciclo de debates “Diálogos Gallaecia” já se tinha abordado a questão da nova linha Porto-Lisboa de alta velocidade, e na entrevista à La Voz de Galicia, Rui Moreira voltou a dizer que o avanço da obra é fundamental para estabelecer a ligação com o norte de Espanha. “Esta é a hora de decidir que o comboio deve chegar à fronteira e seguir pela Galiza”, sinalizou o autarca, confirmando que também prefere o caminho da costa atlântica no percurso até Madrid, com saída pelo sul de Vigo. Já o nordeste de Portugal “pode ir por Puebla de Sanabria”, sugeriu.
“Entre a costa e Madrid não há população. A linha Aveiro-Salamanca é uma boa ideia para mercadorias, mas para os passageiros o importante deve ser uma linha rápida entre a Corunha e Setúbal”, sustentou ainda o presidente da Câmara do Porto.
Da ferrovia para os aeroportos. Na entrevista, Carlos Punzón desafia o presidente da Câmara do Porto a comentar em que pé se encontra a colaboração entre as duas regiões, a este nível. “Propus ao presidente Feijóo a coordenação entre os aeroportos do Porto e Santiago. Estão a uma distância confortável um do outro, o que justifica essa aposta. Poderiam estar ligados por um comboio rápido e cada um deles especializar-se em determinados destinos. O Porto para voar para a África, Nova Iorque ou Brasil, e Santiago de Compostela para a América Latina, por exemplo. Assim podíamos ser mais eficientes”, revelou Rui Moreira que, à margem da conferência na Corunha, jantou com o governante da Galiza.
Quanto à gestão aeroportuária, o presidente da Câmara do Porto não se confrangeu em dizer que quer o Aeroporto Francisco Sá Carneiro (que cresceu mais do que os três aeroportos da Galiza juntos) quer o próprio Porto de Leixões – este mais competitivo do que Vigo – são mais eficientes do que os congéneres galegos.
“O sucesso do Francisco Sá Carneiro não provém do apoio público às rotas. Trouxemos a Emirates, a United Airlines, Turkish Airline com zero euros. A estratégia portuguesa na gestão aeroportuária tem sido melhor do que a da Galiza, que conta com uma competição artificial de três aeroportos, e que foi determinante para o Porto. Os aviões vêm pelos passageiros, não pelos aeroportos, e o [aeroporto do] Porto cresceu porque a cidade se tornou uma atração turística e porque atraímos voos importantes que ajudaram o turismo a crescer”, considerou Rui Moreira, justificando que faz mais sentido apostar na coordenação entre os aeroportos do Porto e de Santiago de Compostela, porque o de Vigo está perto demais e tem “condições naturais difíceis”.
Já o Aeroporto de Lavacolla sim, “tem todas as condições e fica entre a Corunha e Vigo”, observou o autarca.

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