O primeiro-ministro britânico advertiu hoje que um fracasso nas negociações sobre as futuras relações comerciais entre Reino Unido e União Europeia (UE) continua a ser o cenário “mais provável”, apesar da decisão das duas partes de prosseguir as negociações.
“Tenho de insistir que o desfecho mais provável nesta altura é, claro, que tenhamos de nos preparar para os termos da Organização Mundial do Comércio [OMC]. Tanto quanto vejo, há algumas questões muito importantes e muito difíceis que atualmente separam o Reino Unido da UE, e o melhor que todos temos a fazer é prepararmo-nos para relações comerciais nos termos da OMC”, disse Boris Johnson à estação televisiva britânica BBC.
A advertência de Boris Johnson surge depois de UE e Reino Unido terem anunciado, hoje, que vão prosseguir as negociações num derradeiro esforço em busca de um acordo sobre as relações futuras no pós-‘Brexit’, após uma conversa telefónica entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro britânico, num dia que havia sido apontado por ambos como decisivo sobre o rumo das conversações.
Numa declaração conjunta, transmitida por Ursula von der Leyen numa curta declaração à imprensa sem direito a perguntas, em Bruxelas, os dois dirigentes apontam que, “apesar da exaustão após quase um ano de negociações, e apesar de vários prazos-limite terem sido sucessivamente falhados”, consideram que “é responsável neste momento fazer um esforço adicional”.
“Deste modo, mandatámos os nossos negociadores para continuarem as conversações para ver se é possível chegar a um acordo, mesmo nesta fase tardia”, a menos de três semanas do final do ano e do período de transição.
Apontando que a conversa telefónica mantida hoje ao final da manhã, durante a qual discutiram “as principais questões em aberto”, foi “útil e construtiva”, os dois dirigentes não adiantavam, todavia, na declaração conjunta, se tinha havido ou não progressos nos três dossiês que têm impedido que as partes fechem um acordo – pescas, questões de concorrência e resolução de litígios. De acordo com Boris Johnson, as diferenças então mantêm-se e o cenário de um ‘no deal’ continua a ser o mais provável.

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