Chefe de Estado entende que não devia abrir exceção ao endereçar pêsames à família de Ihor Homeniuk. Sobre as presidenciais deixa uma certeza: “Mário Soares é irrepetível.”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, revelou esta sexta-feira que falou “inúmeras vezes” com o primeiro-ministro sobre o SEF e o caso de homicídio que ocorreu no Aeroporto de Lisboa. Em entrevista à SIC, o também candidato presidencial analisou ainda o surgimento e crescimento do Chega e comentou o plano de reestruturação da TAP, defendendo que esta deve continuar a existir.
Sobre o Novo Banco, Marcelo Rebelo de Sousa – que foi entrevistado na qualidade de candidato presidencial – admitiu que o Tribunal de Contas tem “limitações” para o auditar. Em relação às Presidenciais de janeiro, e questionado sobre se gostaria de atingir os 70% de Mário Soares, respondeu a pronto que “é uma loucura”.

Marcelo falou com Costa sobre o SEF
Marcelo Rebelo de Sousa entendeu que “o Presidente de Portugal não devia pegar no telefone e ligar para a Ucrânia” para endereçar os pêsames à família de Ihor Homeniuk, o cidadão ucraniano torturado e assassinado a 12 de março por inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, no Aeroporto de Lisboa. e acrescentou: “Em privado nunca falei com vítimas, nem com familiares de vítimas.”
O Presidente da República, que apresentou a recandidatura esta semana, garante que falou com o primeiro-ministro António Costa sobre o tema por “inúmeras” vezes mas que não falou do mesmo por não trazer “a público as conversas com o primeiro-ministro”.
Em entrevista à SIC, o chefe de Estado diz ter falado sobre o sucedido no início de abril apenas para dizer que “havia um processo em curso” e mantém a posição de que não vai “antecipar o julgamento dos tribunais”.
No entanto, Marcelo afirma que, após “a conclusão do relatório da IGAI sobre o homicídio do cidadão ucraniano, o Governo assumiu objetivamente a responsabilidade” pelo caso ocorrido nas instalações do SEF no Aeroporto.
A um mês e meio das eleições, segundo a sondagem de novembro da Aximage para TSF/JN, Marcelo desliza umas décimas (está com 62,1%), mas lidera as preferências dos portugueses e Ana Gomes também perde quase um ponto, para os 16,3%, mas reforça o apoio junto do PS.
Sobre a crise que se vive no SEF, Marcelo defendeu, na quinta-feira, que é preciso perceber se há um “pecado mortal” no funcionamento do Serviço de Estrangeiros e fronteiras e que, se tal se verificar, a instituição “não serve”.
“Embora o processo não esteja concluído”, o Presidente da República sublinhou que é possível ver que, naquele caso específico, “houve um comportamento” que “justifica a atribuição de indemnização e uma assunção de responsabilidades por parte do Estado”.
Há, no entanto, outro problema: “Saber se isto é um ato isolado ou se é um sistema.” O chefe de Estado alerta que, se vier a concluir-se que esta é a “forma de funcionamento do SEF”, a situação será “muitíssimo mais grave”.
Questionado sobre o plano de reestruturação da TAP, Marcelo Rebelo de Sousa diz acreditar que “deve haver TAP por uma razão simples: chama-se comunidades portuguesas”, pagando o preço do mesmo.
O processo deve passar por Bruxelas, até porque “é obrigatório” e deve ser conduzido pelo Governo, defende o chefe de Estado, que adianta ainda que a Assembleia da República deve discutir se houver implicações no Orçamento do Estado.
“Trata-se de uma realidade que não foi, nesta nova fase, só portuguesa, mas europeia”, notou o Presidente da República. “Ser Presidente obriga a ter noção de manhã, à tarde e à noite”, acrescentou sobre o tema, revelando que ainda não recebeu o plano de recuperação.
Em relação à auditoria do Novo Banco, Marcelo Rebelo de Sousa garante que se referia à audiência feita pela Deloitte quando disse que não poderia haver uma nova injeção na instituição bancária sem que fossem conhecidos os seus resultados.
Sobre a competência do Tribunal de Contas para realizar uma auditoria, Marcelo admitiu que este “tem limites, com o devido respeito, sobre uma questão tão complicada como esta.”
Vacina da Gripe? “Acreditei na ministra”
Questionado sobre a aérea da saúde, em particular, a escassez de vacinas da gripe para grupos prioritários, Marcelo Rebelo de Sousa diz ter acreditado no que disse publicamente a ministra da Saúde. O chefe de Estado, que foi a um centro de saúde levar a vacina em outubro, garantira que havia para todos, com base nas declarações de Marta Temido.
“Quando tenho ali a ministra da Saúde, que garante perante mim, os portugueses, que neste momento há vacina para todos e estão vacinados até dezembro, eu propriamente achei que tinha de acreditar na ministra da Saúde que estava ali assumir que era verdade num compromisso público”, recorda Marcelo Rebelo de Sousa, que assume a “responsabilidade” pelo erro.
Já sobre a vacina contra a Covid-19, que o país espera receber em janeiro, o Presidente revela que tem contactado com farmacêuticas e avisa “há vacinas que estão atrasadas”.

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