No Hospital de Santo António, no Porto, médicos, enfermeiros e assistentes operacionais voluntariaram-se para dedicar os sábados a “recuperar a lista de espera” de cirurgias de ambulatório, um programa que chegará a mais de centena e meia de doentes.
Ao todo 52 profissionais de saúde, desde médicos, enfermeiros a assistentes operacionais, decidiram dedicar o dia a “recuperar a lista de espera” de cirurgias de ambulatório. O modelo irá repetir-se até ao final do ano, num total de cirurgias a rondar as 160.
“Isto não é inédito, mas neste momento em que a nossa atividade hospitalar clássica está muito condicionada pelo combate à covid-19, temos de ser criativos. A cirurgia de ambulatório não necessita de internamento e cuidados intensivos, pelo que nos dá uma oportunidade de alguma forma manter atividade e recuperar algumas listas de espera”, descreveu o diretor clínico do CHUP, José Barros.
Em causa estão cirurgias de cinco especialidades diferentes. Cataratas, síndromes do túnel do canal do carpo, varizes ou hérnias cervicais são algumas das situações.
“Isto não é uma determinação da administração. São os profissionais que se auto-organizam e voluntariamente se disponibilizam para trabalhar ao sábado (…). Habitualmente são 42 doentes por sábado. Hoje porque há doentes mais complexos de cirurgia vascular, são 37 (…). São cirurgias aparentemente simples, mas que fazem muito pela qualidade de vida das pessoas”, acrescentou José Barros.
“Há alguns doentes que têm pedido para as cirurgias serem adiadas. Mas quando são cirurgias que têm um grande impacto na qualidade de vida e no dia a dia, a pessoa tende a vir. Mas uma vez ou outra há pessoas que pedem para serem adiadas”, conta José Barros.
Segundo o diretor clínico “mesmo em tempo de pandemia” os tempos máximos de resposta neste tipo de cirurgia está a ser cumprido em cerca de 90% e os doentes têm esperado “entre um e quatro meses”, mas o cenário não é igual na cirurgia programada que exige internamento.
“A cirurgia convencional, em alguns hospitais, está a ser desmarcada e provavelmente também teremos de o fazer proximamente porque é cirurgia que obriga a internamento e a ter cuidados intensivos de prevenção. O que obriga à paragem da atividade da cirurgia é a necessidade de usar blocos operatórios como unidades de cuidados intensivos e o recurso a anestesiologistas como médicos intensivistas”, explicou o responsável de um hospital que hoje acolhe 115 doentes covid-19 em enfermaria e 28 em cuidados intensivos.
“Cerca de 15% da nossa atividade ficou afetada na primeira vaga [do novo coronavírus]. Já reduzimos em cerca de 7% o défice que temos em relação a 2019, mas só com esforço de todos é possível mais”, descreveu a diretora do CICA.
São seis as salas que estão a ser usadas para este programa. Oftalmologia, ortopedia, neurocirurgia ou cirurgia vascular são algumas das especialidades.

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