Grandes investimentos na cidade são compatíveis com uma política de proximidade à população. Na apresentação da informação trimestral à Assembleia Municipal, realizada nesta segunda-feira à noite, o presidente da Câmara do Porto deixou bem clara a ideia de que continuará a conciliar as duas visões, numa cidade que pede esse equilíbrio quando, pela primeira vez em décadas, ganha moradores. O discurso ficou ainda marcado por mais três fortes mensagens políticas: sobre execução orçamental, reabilitação urbana e liberdade de voto.

“A informação financeira que trago a esta Assembleia não espelha ainda a execução dos dois últimos meses do ano. Sabemos que são, tradicionalmente – e muito devido à difícil caminhada que representa a contratação pública em Portugal – os meses de maior execução orçamental.
Execução que acontece num contexto de sucessivos orçamentos em investimento crescente, o que dificulta a obtenção de boas taxas neste capítulo, mas que vamos alcançar.
Dentro de alguns meses teremos, pois, oportunidade de discutir essas taxas e de tirar a limpo, aqui e em Executivo, com a oposição – nomeadamente com o Partido Socialista que tão subitamente se mostra agora preocupado com este indicador – se depois do Céu que viveu durante três anos e meio na governação da cidade, veio ou não o Diabo. Não veio, posso antecipar.
Perdoem-me se regresso frequentemente à casa da partida. Às Contas à Moda do Porto.
Tenho dito que Contas à Moda do Porto não é apresentar orçamentos certinhos, austeros e magrinhos, onde a engenharia financeira decreta taxas e valores que, depois, se cumprem ou não. Contas à Moda do Porto é muito mais do que um orçamento e a sua execução financeira. É muito mais do que ser um presidente contabilista.
Contas à Moda do Porto é, sobretudo, principalmente, execução a favor das pessoas. Contas à Moda do Porto é um discurso que se concretiza.
E há uma conta que o Porto pode hoje fazer pela primeira vez nos últimos 50 anos. Uma conta que bate certo com um discurso.
Confiando nos números do Instituto Nacional de Estatística – e todos aqui, de certeza, confiam, tantas foram as vezes que os invocaram para mostrar que tudo estava mal – confiando nesses números, pela primeira vez em mais de 40 anos, o Porto está a ganhar habitantes.
Perdeu-os, desde o final dos anos 70 do século passado, consecutivamente, sem interrupção ou outra tendência.
Perdeu-os – mais de 100 mil – antes do turismo, do “boom” da reabilitação urbana a que chamam especulação, antes da cidade se tornar líquida de cultura, de animação, de gente na rua, de tolerância e de vontade de empreender. Com trânsito, pois claro, com gente, com problemas, evidentemente. Com dores de crescimento.
E ganhou ao fim de quatro anos de investimento em si própria, nos portuenses, em novas gerações que recusam um discurso xenófobo e pouco tolerante com a própria história cosmopolita da cidade, que nem as trevas mais recentes apagaram.
Sim, porque há muito de xenofobia e inveja no discurso da gentrificação e da apologia do quanto pior melhor. Muita xenofobia e inveja, medi as palavras.
O Porto está a ganhar habitantes. Permanentes. E não foi pela via nem do decreto que alguns nos prometeram há 5 anos, em eleições, nem pela via do investimento público desenfreado e “controleiro” do mercado, que outros sempre advogam como forma de moldar o povo.
Os números do INE contam uma história. São eles próprios um discurso sobre as Contas à Moda do Porto, o que elas representam e do que delas resulta. Culturalmente, economicamente e socialmente.
Porque foi isso que – bem ou mal – prometemos a uma cidade em 2013, que – é preciso ter memória – tinha um centro histórico em ruína e uma periferia ao abandono.
Cinco anos depois não está tudo resolvido. Campanhã não se transformou por acção de uma varinha mágica como todos – menos eu – lhe prometeram em sucessivas campanhas eleitorais. Mas está em transformação, com visão, com um discurso, com trabalho e com investimento.
E aqui, perdoem-me a ousadia, não posso deixar de enaltecer o voto do Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Campanhã na última discussão de orçamento. Um voto que, estou certo pelo que conheço do seu carácter, foi consciente, livre e democrático.
Senhor Presidente, Ernesto Santos, lamento que alguém, por ter sido livre e justo, lhe tenha pretendido colocar um carimbo que é da maior injustiça e envergonha quem o tentou fazer.
Contas à Moda do Porto é também o seu voto, senhor Presidente da Junta. Obrigado por saber interpretá-las com especial sagacidade, mesmo sabendo que o orçamento que aprovamos na passada semana, sendo bom para Campanhã, sempre passaria nesta Assembleia sem o seu voto.
O seu voto tem um significado profundo e pode, por quem não o conhece e não conhece Campanhã senão em campanha eleitoral, pensar que é um acto isolado. Não é. O senhor e o seu executivo – socialista – têm dado uma lição de cooperação democrática, de lisura e ética na forma como connosco tem colaborado. Não é caso único, evidentemente, entres os senhores presidentes de Junta. Mas, dadas as circunstâncias, não posso deixar de lho dizer, tanto mais que ninguém – ninguém – do meu Executivo ou a ele ligado, alguma vez, consigo falou acerca do orçamento ou do sentido de voto que iria aqui assumir.
Posto isto. Apesar do Diabo com que o Bloco Central sempre nos atira – ora dizendo que o investimento é pouco ora reclamando que é demais – vou ler a seguir a informação financeira pura e dura, onde se mostra que a Câmara do Porto continua a ter níveis de endividamento que fazem corar de vergonha muita gente, a investir cada vez mais e, ainda assim, a pagar aos fornecedores a quatro dias.
Contas à Moda do Porto, senhores”.
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