De acordo com um estudo do Instituto Internacional de Investigação sobre a Paz de Estocolmo (SIPRI), a dificuldade em acessar aos números oficiais leva a uma subestimação geral dos gastos com a compra de armas.

Nan Tian, um dos autores do estudo, explica: “Nos últimos três anos, nenhum país da África subsaariana divulgou os seus gastos no relatório da ONU sobre compras para o setor militar. E nos últimos 10 anos, apenas cinco países o fizeram. Constatamos que 45 dos 47 países da África subsaariana relataram seus gastos militares no seu próprio país através do Ministério das Finanças ou por meio de um site de pesquisa e transparência. A transparência é, portanto, pouca, mas há que admitir que é melhor do que se presumia”, afirma ainda Nan Tian, pequisador do SIPRI.

Angola é dos países africanos que mais gastam em armamento
Outra ilação do novo estudo: os números disponíveis mostram que os gastos são comparativamente altos, sendo os mais elevados no Sudão, na África do Sul, em Angola e na Nigéria. Em média, os países da região gastam 1,7% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em investimentos militares. Note-se que, segundo o Banco Mundial, há países industrializados que gastaram muito menos: a Alemanha, por exemplo, gastou 1,2% em armamentos em 2017.
No entanto, há que dizer que os gastos militares nos países subsaarianos oscilam fortemente devido, principalmente, ao declínio no preço dos recursos naturais e aos conflitos armados na região. A queda nos preços do petróleo – que afeta países como a Nigéria ou Angola – causou uma baixa acentuada nos gastos militares. No total, os países gastaram 3,2 mil milhões de dólares a menos em 2017 do que há três anos.
Por outro lado, os conflitos armados fizeram aumentar os gastos militares. Na luta contra os extremistas islâmicos, o Mali, que está a ser ameaçado por uma divisão interna, aumentou seus gastos em 152%, para 275 milhões de dólares, entre 2014 e 2017.
Os pesquisadores do SIPRI observaram também que os custos financeiros e humanos dos conflitos na região estão a aumentar constantemente.

Tendência para aumento de transparência deve continuar, recomenda SIPRI
Os cientistas ligam essa tendência à cultura política de cada Estado, diz Nan Tian, um dos autores do estudo: “Onde falta democracia os líderes têm menos incentivos para buscar a aprovação dos cidadãos. E, portanto, esforçam-se menos em questões como transparência na prestação de contas e responsabilidade. Desta forma, há mais espaço para os líderes desses países alocarem recursos de maneiras que provavelmente não favorecem o interesse das pessoas.”
Como a competição pelo poder nem sempre é liderada por meios civis, esses regimes dependeriam de meios militares para controlar a população e garantir o poder, o que os leva a esconder as informações sobre seus gastos militares do público. No entanto, no seu estudo, o SIPRI chega a uma conclusão geral positiva: o ténue aumento da transparência marca um começo na direção do desenvolvimento democrático geral – desde que a tendência continue.

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