A Venezuela ordenou, no decorrer desta semana, a expulsão da mais alta representante diplomática do Equador em Caracas, em reciprocidade à medida adotada em Quito contra a embaixadora venezuelana por considerar “ofensivos” os comentários do governo de Nicolás Maduro ao presidente Lenín Moreno.

O governo venezuelano “vê-se obrigado a tomar medida recíproca contra a Encarregada de Negócios do Equador na Venezuela, Elizabeth Méndez, que é declarada persona non grata e tem 72 horas para deixar o país”, afirmou a nota oficial.
O documento destaca que a Venezuela “não pode mais do que rechaçar a sistemática intromissão em seus assuntos” por parte do presidente equatoriano, como também a expulsão de sua embaixadora em Quito, Carol Delgado, que tem 72 horas para abandonar o país.
O Equador, forte aliado do chavismo durante o governo de Rafael Correa (2007-17), chamou Méndez para consultas.
A medida foi tomada depois de o ministro de Comunicação venezuelano, Jorge Rodríguez, acusar Moreno – antigo aliado de Correa – de ter mentido na Assembleia Geral das Nações Unidas ao afirmar que cerca de 6.000 venezuelanos entraram diariamente no Equador fugindo da profunda crise econômica em seu país.
Em meio à polémica, Maduro declarou que ama o Equador, mas disparou contra Moreno declarando que “os traidores e os covardes serão esquecidos”.
“Leais temos sido aos ideais dos nossos libertadores e ao comandante (ex-presidente) Hugo Chávez (…). A história só recorda os valentes, os leais. Os traidores e os covardes serão esquecidos (…). Todos que se metem com a Venezuela secam, e os traidores de ontem e de hoje secarão”, disse Maduro durante reunião de sua equipe econômica.
A chancelaria venezuelana classificou de “extravagante”, “intolerante” e “desproporcional” a reação do Equador às declarações de Rodríguez.
“Moreno, em um inaudito ato de agressão contra a Venezuela, dedicou um quarto do tempo de sua intervenção para mentir sobre a realidade do fenómeno migratório”, afirmou a nota oficial.
Segundo a chancelaria, Moreno “mentiu” sobre o volume de emigrantes, sobre a atenção que os venezuelanos recebem no Equador e sobre as condições de saúde no país.
“É evidente que toda esta falaciosa e hostil argumentação (…) são mera consequência do novo papel atribuído ao governo equatoriano” por Washington, acrescentou.
O governo socialista venezuelano nega que haja uma crise humanitária pela situação socioeconômica, e diz que isso faz parte da campanha internacional contra Maduro.
A ONU calcula que cerca de 1,9 milhão de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015, a maioria para países da região, principalmente Colômbia, Peru e Brasil.

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