Os suinicultores portugueses têm «praticamente fechado» um acordo com a China, que lhes permite em 2019 duplicar as exportações e começar a crescer, três anos após a maior crise, anunciou a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultura (FPAS).

«Com a China, que é o maior produtor do mundo e o maior importador e consumidor de carne de porco, temos as negociações praticamente concluídas e a nossa expectativa é de que, no primeiro trimestre de 2019, seja possível começar a exportar para a China», disse o vice-presidente da FPAS, David Neves.
Numa primeira fase, Portugal vai exportar por ano mais de mil toneladas de carne, cerca de 15% da produção, e faturar cem milhões de euros, podendo vir a duplicar estes valores numa segunda fase.
«Estamos a falar em poder exportar para a China 200 milhões de euros por ano [na segunda fase], que representará 25 a 30% da produção nacional”, concluiu o responsável, adiantando que o acordo é “um forte estímulo para a expansão e crescimento do setor em Portugal», realçou.
Em 2017, o setor exportou 17,8% da sua produção e faturou mais de cem milhões de euros no mercado externo, vindo todos os anos a internacionalizar-se mais.
Entre os principais mercados da exportação estão Espanha, Angola, Reino Unido e França, depois de a Venezuela, que era em 2015 o principal mercado da carne de porco, ter deixado de o ser em 2017, e de, em 2018, ter deixado de constar entre os cinco principais mercados, devido à crise.
Em 2017, a produção nacional de carne foi 271 toneladas, menos do que em 2016 (291 toneladas), correspondentes a 513 milhões de euros, mais do que no ano anterior (486 milhões de euros).
«Tivemos uma crise, que foi a maior que o setor viveu e que afetou o último semestre de 2015 e o primeiro semestre de 2016, e temos vindo a verificar que o setor tem vindo a crescer do ponto de vista do valor e em efetivos, com mais 7% de animais reprodutores e 11% de animais para abate», disse.
O preço médio de venda da carne baixou de 1,56 euros por quilograma, em 2017, para 1,48 este ano, mas subiu em relação a 2016 (1,31).
Apesar da estabilização e da retoma do setor, explicou, a «China, sendo o grande motor da economia mundial, retraiu as importações e todo o mercado se ressentiu e, quando estamos numa Europa excedentária, há efeitos do ponto de vista do preço».

 

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