Há já vários anos que moradores e comerciantes alertam as autoridades para a degradação humana que existe na Praça dos Poveiros, em plena Baixa portuense.

Uma dezena de pessoas sem-abrigo habitam a praça, dormem nos acessos ao parque de estacionamento subterrâneo, tomam banho e lavam a roupa no chafariz da praça em frente de todos, moradores e turistas. O abandono social acabou por ser fatal na tarde de sábado para Joaquim David, de 47 anos, que, doente, sucumbiu e tombou perante os olhares incrédulos de toda a gente.
Os amigos quase que estavam à espera do dramático desfecho. No domingo, sentados num dos muros da praça lamentavam o sucedido e não conseguiam sequer olhar para o local onde o companheiro morreu. “Ele estava num estado de desânimo e acho que se deixou ir”, conta o amigo José Gomes. Dia sim, dia não, os sem-abrigo da praça recebem o apoio dos Serviços de Assistência de Organizações de Maria (SAOM). Umas vezes Joaquim “aceitava ajuda, outras vezes não”. O mesmo acontecia com a família. Joaquim, dizem os amigos, tinha um irmão, mas o convívio nem sempre terá sido fácil.

Há já vários anos que moradores e comerciantes alertam as autoridades para a “degradação humana” que existe na Praça dos Poveiros, em plena Baixa portuense.
Em junho, numa visita ao Porto, o presidente da República assegurou que a integração das pessoas sem-abrigo até 2023/2024 é “uma meta para cumprir”. De acordo com dados de 2016 da Segurança Social, o Porto é referenciado como o distrito com mais sem-abrigo.
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