A Primavera Marcelista designa o período inicial do governo de Marcelo Caetano. Foi precisamente no dia 27 de setembro, entre 1968 e 1970,  que Marcelo Caetano se tornou presidente do Conselho de Ministros. A história registou o que fez e o que não fez no qual se operou uma certa modernização económica e social e uma liberalização política moderada, criando a expectativa de uma verdadeira reforma do regime em Portugal, o que não chegou a acontecer.

A “queda” de Salazar obrigou o estado novo a escolher o sucessor do ditador. A escolha foi um antigo conselheiro, mais novo, igualmente professor de direito, e também com raízes beirãs.
Marcelo Caetano foi empossado como presidente do Conselho há exatamente 50 anos e ficaria em funções até ao fim do regime, em 1974.
Os pouco mais de cinco anos e meio de liderança, foram muito condicionados pela guerra colonial.
E falhou, naquilo que seria a única forma de garantir uma transição pacífica do regime, porque não encontrou uma solução politica para o conflito com os movimentos anticoloniais.
Durante a guerra da  “primavera marcelista”, e mesmo considerando que algumas deixaram raízes, disse o essencial ficou por fazer.
Marcelo Caetano foi escolhido para suceder a António de Oliveira Salazar em Setembro de 1968, após este ter sofrido um acidente vascular cerebral que o impossibilitou de continuar a exercer o cargo de presidente do conselho de ministros. Tido com um democrata, Caetano rodeou-se de representantes de uma nova vaga de tecnocratas, introduzindo alterações em diversos sectores:

Economia
  • Fim do condicionalismo industrial, abrindo-se o país ao investimento estrangeiro.
  • Lançamento de grandes obras públicas, tais como os do porto de Sines e a barragem do Alqueva.
  • Aproximação à então Comunidade Económica Europeia (CEE).
Sociedade
  • Melhoria da assistência social.
  • Ensaio de algumas propostas de democratização do ensino, lançadas pelo ministro da Educação Veiga Simão.
Vida política interna
  • Dentro de um conceito de concessão de liberdade possível, registaram-se medidas de descompressão sobre as oposições legais ou semilegais, sendo autorizado o regresso de alguns exilados, como Mário Soares e D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto. Autorizado também o III Congresso Republicano que reuniu a Oposição em Aveiro.
  • Eliminação de algumas restrições à actividade sindical.
  • Abrandamento da vigilância dos serviços de censura, que se passou a designar por Exame Prévio.
  • Redução dos poderes da polícia política, que passou de Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) para Direcção-Geral de Segurança (DGS).
  • Abertura do próprio partido único de apoio ao regime — União Nacional, rebaptizado Acção Nacional Popular, em 1970 — à expressão organizada de opiniões divergentes, com a constituição da Ala Liberal, assumidamente reformista, de que faziam parte Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Mota Amaral, entre outros, e que viria a ter representação parlamentar.
Política colonial
  • Prossecução da opção militar, rejeitando-se a via das negociações e a concessão de independências às províncias ultramarinas.
  • Alterações significativas no discurso oficial, colocando a tónica na autonomia progressiva, subentendendo-se muito tenuemente uma tendência para aceitar independências brancas.

A política de abertura de Marcello Caetano provocou reacções muito díspares em Portugal:

  • No campo político afecto ao governo e ao regime houve clivagens, por vezes muito profundas, entre reformadores e integristas;
  • A oposição — tanto a legal, como a ilegal — também se fraccionou entre aqueles que aceitavam a liberalização como uma via genuína para a democratização do regime a médio e talvez mesmo a curto prazo e os que continuavam a olhar com desconfiança as novas políticas.

Em Abril de 1969, na cerimónia de inauguração do novo edifício das Matemáticas da nova Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, a recusa da palavra ao presidente da Associação Académica de Coimbra — acto que levou o presidente da República Américo Tomás a ser vaiado e o presidente da Associação Académica de Coimbra a ser preso —, provocou uma crise académica resultando numa série de greves, que se prolongariam até Setembro desse ano. Este acontecimento, juntamente com a continuação da guerra colonial e a recusa da adopção de reformas mais profundas sugeridas pelos deputados da Ala Liberal — que os levou a abandonar a Assembleia Nacional, indo vários deles fundar o jornal Expresso — e, mais tarde, a crise do petróleo de 1973 e a consequente subida generalizada dos preços, veio mostrar que as hipóteses de concretização do slogan do regime Evolução na Continuidade eram nulas, abrindo-se o caminho à Revolução dos Cravos em 25 de Abril de 1974.

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