A cidade do Huambo, que mais encantou os colonialistas portugueses em Angola, celebrou na passada sexta-feira, 106 anos desde a sua fundação, pelo então governador-geral de Angola, general José Mendes Ribeiro Norton de Matos.

Totalmente recuperada dos destroços causados pelos longos anos de conflito armado, a urbe, que em 1928 foi proposta à capital do país, pelo então governador-geral de Angola, Vicente Ferreira, que a baptizou de Nova Lisboa, vive uma fase de novos e enormes desafios.
Além da manutenção do seu peculiar perfil arquitectónico, a cidade vem encetando um conjunto de acções que a poderão tornar, a médio prazo, na 1ª capital ecológica do país, um desafio assumido pelas autoridades em 2007.
A assumpção deste desafio tem engajado o governo e seus parceiros sociais a um amplo trabalho de preservação dos espaços verdes, manutenção do saneamento da urbe e educação ambiental da população local.
Aos poucos, vê-se uma cidade mais limpa, mais verde e auto-sustentável ambientalmente, o que está, seguramente, a contribuir para o reforço da distinção de Huambo capital ecológica e na melhoria da própria saúde pública, com vista à promoção do bem-estar da população.
Paralelamente ao desafio de transformar-se na capital ecológica do país, as autoridades também esmeram-se, ao máximo, para resgatar a tradição académica da antiga Nova Lisboa, que, até 1991, era famosa na formação de quadros em diversos ramos do saber.
Para lograr tal meta, anualmente são erguidas novas escolas e ampliadas as anteriores para responder à actual explosão estudantil no casco urbano.
A cidade do Huambo, que entre 1928 a 1974 designou-se Nova Lisboa, passando anos mais tarde, em 1991, a ser chamada Cidade Vida, já foi palco de um dos mais violentos episódios da guerra civil de Angola, que destruiu todas as suas principais infra-estruturas, não poupando, também, o seu tecido humano.
Desde o alcance da paz, a 4 de Abril de 2002, a cidade transformou-se, rapidamente, num lugar de recomeço, fruto do grande volume de investimentos feitos pelo Governo e o sector privado, fazendo, deste modo, a região reerguer-se dos escombros.
Na sua fase plena de recomeço, cujo apogeu aconteceu em 2008, todas as amarguras provocadas pela guerra e o lamento dos seus habitantes foram lançados para fora e o Huambo voltou a se tornar num lugar em que as populações vivem em condições admissíveis e se orgulham da cidade.
Onde havia ruínas apareceram casas, as artérias destruídas foram reabilitadas e da escuridão despontou luz. Os feitos para o desenvolvimento da cidade permitira, ainda que não de forma oficial, restituir a sua tradicional designação de “Cidade Vida”.
Aos olhos de todos, desde residentes, turistas e demais cidadãos que por aqui passam por razões diversas, o processo de reconstrução é visível. Além das obras no espaço público, a sua população foi incentivada, com subsídios estatais, a recuperar as habitações, através de um programa denomina “cimento e tinta”.
Embora o processo tenha conhecido um abrandamento, desde 2015, em consequência da desfavorável conjuntura macro-economica que o país vive, o que se assistiu na cidade do Huambo foi, efectivamente, uma fase de progresso, envolvendo cidadãos nacionais e expatriados ávidos em transformar o antigo “campo de batalha” em cenário de reconstrução.
São sinais concretos de desenvolvimento que vão, certamente, beneficiar também as gerações vindouras. A iluminação pública, a sinalização rodoviária, o verde dos jardins, fazem relembrar os tempos em que a cidade do Huambo se denominava “Nova Lisboa”.
Desde o aeroporto Albano Machado, passando pelas principais artérias e avenidas, incluindo os bairros periféricos do São João e São Pedro, são notórios os esforços de recuperar a urbe.
Este esforço não prioriza só a reconstrução, mas também a transformação para melhor a vida das pessoas, aproveitando as riquezas que a região possui, criando postos de trabalho para dignificação do homem e executando programas de melhoramento e aumento da oferta de serviços sociais básicos às populações.
Até mesmo os mais incrédulos em relacção à reconstrução do parque local de infra-estruturas já demonstram optimismo incontido, ao mesmo tempo que prenunciam estar-se no caminho certo para que dentro de pouco tempo esta cidade se torne naquela que orgulhou os colonizadores portugueses.

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