O tufão Mangkhut chegou este domingo ao sul da China, depois de uma passagem devastadora pelas Filipinas onde fez pelo menos 49 mortos e soterrou cerca de 40 mineiros, que estão desaparecidos.

A tempestade tropical, considerada a mais forte deste ano, provocou chuvas torrenciais e ventos ciclónicos que fizeram colapsar a encosta de uma montanha na aldeia remota de Itogon, na província de Benguet (norte).
A terra que se desprendeu abateu-se sobre os alojamentos dos mineiros. Segundo a polícia, sete corpos já foram retirados, mas há pelo menos 40 pessoas desaparecidas.
Vários pontos do arquipélago filipino foram devastados pelo tufão e o balanço provisório de vítimas no país é de 49 mortos, segundo a polícia.
A maioria dos mortos foram vítimas de deslizamentos de terra nas zonas montanhosas, de acordo com as autoridades.
Na última conferência de imprensa, as autoridades de Macau disseram ter criado um mecanismo de troca de informações sobre a situação nas centrais com as autoridades de Guangdong.
Centenas de voos foram cancelados e todos os serviços ferroviários de alta velocidade e alguns normais nas províncias de Guangdong e Hainan também foram interrompidos no domingo, informou a China Railway Guangzhou Group Co..
Na província de Fujian, dezenas de milhares de barcos de pesca regressaram ao porto e as obras de construção pararam.
A cidade de Shenzhen também cancelou todos os voos entre domingo e segunda-feira de manhã.
A Hainan Airlines cancelou 234 voos nas cidades de Haikou, Sanya, Guangzhou, Shenzhen e Zhuhai, programados para este fim de semana.
Já em Hong Kong, perto de 900 voos foram adiados ou cancelados. De acordo com o South China Morning Post, pelo menos 543 voos programados para hoje foram cancelados, afetando cerca de 96 mil passageiros.
No total, as autoridades do aeroporto internacional de Hong Kong dão conta de 889 voos adiados ou cancelados devido à proximidade deste tufão, considerado o maior do ano, indicou o mesmo jornal.
Em Macau, 160 voos foram cancelados e 14 tiveram de ser adiados, segundo as últimas informações do aeroporto. O Observatório de Hong Kong e os Serviços Meteorológicos de Macau (SMG) emitiram hoje o sinal 10 de tempestade tropical, o máximo no nível de alerta, ambos prevendo fortes chuvas, inundações e rajadas de vento nas próximas horas.
O alerta vermelho de “storm surge” (maré de tempestade) continua em vigor e a subida do nível da água pode atingir os 2,5 metros, indicaram os SMG.
Perto de seis mil pessoas já foram retiradas das suas casas, no seguimento do plano de evacuação das zonas baixas da cidade, efetuado a partir das 21:00 de sábado.

Um novo balanço das autoridades de Macau regista um aumento de oito para 13 no número de feridos em resultado da passagem do tufão Mangkhut, que causou para já 155 incidentes naquele território.
O balanço parcial, feito até às 17:00 (10:00 em Lisboa), refere que a maioria dos casos registados pelo Centro de Operações da Proteção Civil (OPC) diz respeito a queda de reclamos, toldos, janelas e outros objetos (81), danos em construção, queda de reboco e outros objetos (28), queda de árvores (21) e de andaimes (12).
Para já foram reportados sete casos de inundações, uma das grandes preocupações das autoridades de Macau, uma vez que os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) elevaram hoje para o nível máximo o aviso de “storm surge” [maré de tempestade], devido às fortes inundações nas zonas baixas da cidade.
Neste momento, o núcleo do tufão severo Mangkhut está a cerca de 80 quilómetros, e a afastar-se de Macau, tendo atingido terra perto da cidade chinesa de Taishan, mas continua a causar “grande ameaça ao território”, com graves inundações e rajadas de vento na ordem dos 160 quilómetros.
A placa de estacionamento do Aeroporto Internacional de Macau, que chegou a estar submersa, obrigou ao cancelamento de todos os voos previstos para hoje, informaram as autoridades.
O “impacto grave” do tufão já levou o chefe do Governo de Macau a emitir um despacho no qual se determina o encerramento de todos os serviços públicos na segunda-feira, com exceção daqueles integrados na estrutura da Proteção Civil e de representação exterior.
Todas as instituições de ensino superior em Macau também suspenderam a sua atividade no domingo. Já as instalações culturais sob a alçada do Instituto Cultural (IC), incluindo locais relacionados com a promoção do património, bibliotecas públicas, museus e salas de exposições, entre outras, serão encerradas na segunda e na terça-feira ao público para que se proceda à inspeção e limpeza daqueles espaços.
Às 14:00 (07:00 em Lisboa), as autoridades de Macau emitiram o aviso preto, o nível máximo, que ainda se mantém em vigor.
O COPC indicou que o trânsito em algumas vias das zonas baixas da cidade foi cortado.
As fortes inundações, que podem agora ultrapassar os 2,5 metros, podem comprometer o fornecimento de eletricidade nessas zonas, onde mais de cinco mil pessoas foram retiradas das habitações e mais de mil foram acolhidas nos 16 centros de abrigo do território, indicam as autoridades.
O sinal 10 de tempestade tropical, o máximo na escala de alerta, composta pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, está içado em Macau desde as 11:00 (04:00 em Lisboa).
O COPC indicou ainda que sete pessoas tentarem atravessar a pé a ponte Nobre de Carvalho, tendo sido detidas pelo menos cinco. A proteção civil pediu à população que não cometa “atos irresponsáveis que possam sobrecarregar os trabalhos” de auxílio à população.
A tempestade tropical, classificada já como a maior do ano, causou pelo menos 49 mortos nas Filipinas e um em Taiwan.

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