BILHETE POSTAL
Eduardo Oliveira Costa*

“Os contribuintes (ingleses) são donos de 62% do RBS (um banco escocês)”. A notícia não traz nada de novo. Para salvar bancos os estados investiram dinheiro público. A questão está no facto de os ingleses referirem sempre que os gastos do Estado são feitos com “dinheiro dos contribuintes”.  Estes são os
donos do banco.
A cultura inglesa merece elogios. Os contribuintes são quem gasta nos serviços do Estado e no que este investe. Pagam impostos justos e sentem esse dever para serem donos dos serviços de que beneficiam. É um pormenor, mas que diz muito.
Por cá, limitamo-nos a concluir que somos espoliados pelo Estado. Com uma carga  fiscal insuportável. Aumentada assustadoramente na época da Troika, para salvar o país da bancarrota, mas que veio para  car. Não vemos vontade de reverter esses impostos, excecionalmente criados para um período de diculdade excecional.
O nosso Estado é assim: habitua-se a receber, a gastar tudo o que recebe e não chega nunca. E nós, contribuintes passivos de impostos que não são justos, nem queremos saber o que fazem ao nosso dinheiro. Por aqui, esse dinheiro que cai nos cofres do Terreiro do Paço é o dinheiro ‘deles’.
Temos muito para andar nesta matéria do ‘dinheiro dos contribuintes’. A começar por nos habituarmos à ideia de que devemos contribuir, mas com impostos justos, que possamos pagar. Criar a consciência de que devemos saber onde são aplicados, pois trata-se do nosso dinheiro. Que sai do nosso suor.
EDUARDO COSTA,
*JORNALISTA, PRESIDENTE DA
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DA IMPRENSA REGIONAL
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