Na fronteira franco-suíça, no sítio mais quente, frio e vazio do Universo, fazem-se experiências com partículas subatómicas para se compreender melhor do que é feito o Universo, uma tarefa que mobiliza cientistas portugueses.

O Grande Colisor de Hadrões  (em inglês: Large Hadron Collider) – LHC, do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), é o maior acelerador de partículas e o de maior energia existente do mundo. Este é o sítio mais quente, mais frio e o mais vazio do Universo. O laboratório localiza-se num túnel circular com cerca de 27 quilómetros, a 100 metros de profundidade, que atravessa a fronteira entre a França e a Suíça.
«É uma grande aventura europeia», resume o delegado científico de Portugal no CERN e ex-presidente do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), Gaspar Barreira.
O LHC é o sítio mais quente do Universo porque, explica Gaspar Barreira, quando protões chocam à energia máxima de 13 TeV (milhões de milhões de volts) provocam, no ponto de impacto, um «salto de temperatura que é imensamente maior do que a temperatura de todos os processos do Universo», como a colisão de galáxias ou buracos negros.
Por funcionar a uma temperatura próxima dos dois graus acima do zero absoluto, a máquina é também o local mais frio do Universo, adianta, precisando que a temperatura média do Universo é cerca de três graus acima do zero absoluto (o zero absoluto equivale a -273,15º Celsius e é o limite mais baixo da temperatura).
A peça do ‘puzzle’ que faltava, o bosão de Higgs, partícula «responsável por dar massa a outras partículas elementares», foi descoberta em 2012 graças a experiências feitas no acelerador.
Patrícia Conde Muíño, investigadora espanhola do LIP, coordena desde 2014 a equipa portuguesa envolvida na experiência ATLAS, que, em conjunto com uma outra, a CMS, onde estão também portugueses, confirmou a existência do bosão de Higgs.
Para o antigo presidente do LIP e atual membro do conselho geral do CERN, máquinas como o LHC «servem para tentar ultrapassar a fronteira» do desconhecido.
Gaspar Barreira espera que o ‘upgrade’ que vai ser feito ao acelerador, que o vai pôr a colidir mais com os protões por segundo a partir de 2026, possa abrir uma janela para esse mundo desconhecido.

 

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