O Conselho de Liderança Luso-americano (PALCUS, na sigla em inglês) aposta no aumento do número de portugueses registados nos EUA para reforçar a oferta do ensino do português como lingu5a estrangeira no sistema público.

A dirigente do PALCUS Angela Simões disse que o objetivo final é que o português “seja oferecido como língua estrangeira nas escolas públicas e noutros estabelecimentos de ensino” nos Estados Unidos.
Por isso, a mobilização das comunidades portuguesas junto dos agrupamentos escolares é um dos pilares desta estratégia, que deverá ser reforçada com a campanha de recenseamento “Make Portuguese Count”.
Esta campanha, que será lançada este ano, tem como objetivo a contabilização exata do número de luso-americanos nos Estados Unidos no próximo censo, em 2020.
Se este número subir, a distribuição de fundos às escolas e organizações comunitárias será mais favorável ao ensino de português, disse Angela Simões, já que o censo é usado para essa alocação orçamental.
A responsável sublinhou que as línguas estrangeiras oferecidas com maior frequência são espanhol, francês e alemão, mas que estas duas últimas têm menor relevância “em termos económicos” e a língua portuguesa “está acima delas” nesse aspeto.
A intenção é que o português, que foi recentemente incluído na lista de línguas críticas dos Estados Unidos, passe a ter prioridade nas escolas juntamente com o espanhol.
Trata-se de “um esforço muito local”, afirmou Angela Simões, referindo que uma contabilização mais precisa do número de portugueses em cada distrito vai possibilitar aos grupos “fazerem campanha” em cada escola e contactar os seus representantes políticos.
“Quando se está a apresentar o caso ao conselho escolar, é preciso provar a necessidade. E a melhor forma de o fazer é ter pessoas desse grupo étnico naquela área”, referiu a responsável.
Associado à procura pelo ensino de português está um “ressurgimento” do “orgulho” de ser luso-descendente, explicou a dirigente do PALCUS, falando de uma vontade de “reconexão” com as origens.
“As pessoas têm memórias de uma avó a fazer uma receita ou a cantar uma canção e agora querem passar essas memórias e tradições de que se lembram com carinho”, adiantou.
Trata-se de uma situação diferente de gerações passadas, referiu, em que “as pessoas não queriam ser reconhecidas como portuguesas, era uma coisa má, queriam ser americanos”.
Ainda assim, a promoção do ensino da língua portuguesa nas escolas não estará apenas dirigida a lusodescendentes, mas também a outras nacionalidades, “porque é um benefício para qualquer pessoa e oferece oportunidades de trabalho em vários países diferentes”, disse Angela Simões.
A responsável sublinhou ainda a importância do esforço do ex-cônsul geral de Portugal em São Francisco, Nuno Mathias, e do presidente da California Portuguese American Coalition (CPAC), Diniz Borges, que trabalharam para a aprovação de um processo de acreditação de professores de português nos Estados Unidos.
“Agora as pessoas podem acreditar-se para ensinar português. É uma coisa excelente”, indicou.

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