Os dois escritores comentam a proposta que prevê que os professores possam escolher qual o livro que os alunos vão ler de um determinado autor obrigatório.

Está em consulta pública uma proposta que acaba com os livros obrigatórios no secundário. A proposta, disponível na página da Direção-Geral da Educação, prevê que os alunos leiam uma obra de um autor à escolha do professor.
Por exemplo, pode deixar de ser obrigatório ler “Os Maias” ou “A Ilustre Casa de Ramires”, se o professor optar por outra obra de Eça de Queirós.
Henrique Raposo considera “a ideia ridícula”. “Há 20 anos se dissessem que os “Os Maias” iam deixar de ser obrigatórios, era uma frase para a Herman Enciclopédia, não era para a realidade”, disse o escritor durante a análise do tema na Manhã da Renascença desta quarta-feira.
Opinião diferente tem o escritor Jacinto Lucas Pires. “Até pode ser nivelar por cima, pode ser que se leia mais do que um livro. Dá uma certa autonomia aos professores que, conhecendo a sua turma e se calhar até cruzando com os programas de outras disciplinas, lhes ocorre que outro livro desse autor funcionará melhor e até abrirá as portas da obra desse autor a esses alunos.”
Uma visão “demasiado otimista”, diz Henrique Raposo, que recorda um caso semelhante, com as obras de Camilo Castelo Branco. “Há uns anos os livros do Camilo deixaram de ser obrigatórios há uns sete ou oito anos, lembro-me de falar muito disso. “O Amor de Perdição” e “A Brasileira de Prazins” desapareceram das nossas escolas e isto faz parte desse movimento. É um nivelar por baixo”.
Para Jacinto Lucas Pires trata-se de uma questão de confiança nos professores. “Acho que houve tantas mudanças mal feitas que agora há uma espécie de reação ao contrário, que é a de que não se pode mudar nada, porque qualquer mudança vai ser má. Sabemos que a educação pode ser muito melhorada e para isso tem que haver alterações. Confiar nos professores e juntar rigor com autonomia dos professores, acho que é uma boa via”.