A oposição timorense considerou hoje um “desastre diplomático” a decisão da coligação maioritária do Governo, a AMP, de chumbar o pedido de autorização do Presidente para a visita de Estado a Portugal, marcada para esta semana.

“É um juízo errado, uma política de má fé e um desastre diplomático impedir o Presidente da República de reforçar a relação bilateral com Portugal. Travar esta visita é grave, porque é uma visita em que representa o Estado”, afirmou o deputado Adriano dos Nascimento, da bancada do Partido Democrático (PD).
Os comentários de Nascimento surgiram depois das bancadas da coligação do Governo terem declarado que vão chumbar o pedido de autorização para a visita de Francisco Guterres Lu-Olo a Portugal, devido ao impasse em torno da tomada de posse de alguns membros do Governo.
“A relação com Portugal é importante. Não é responsável ou honesto tomar esta decisão. É um desastre diplomático”, insistiu.
Para David Ximenes, deputado da bancada da Fretilin [Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente], a postura da coligação do Governo demonstra “infantilismo político”, pelo que “a visita não pode ser cancelada”.
“O facto do Presidente pedir para reconsiderar a lista apresentada pelo primeiro-ministro é que foi a causa para esta reação aqui, como retaliação. Dá uma má imagem internacional de Timor-Leste”.
“Mostra que não se está a fazer uma política saudável, mas politiquice, pelos interesses dos grupos. Os deputados, quando são eleitos, passam a ser representantes de todo o povo. Esta visita é uma questão de Estado”, sublinhou.
Francisco Branco, chefe da bancada da Fretilin, a maior da oposição, criticou a postura da coligação do Governo, afirmando que “não fazem sentido” os argumentos apresentados.
“Não se pode usar uma visita de Estado neste debate, se todos tiverem de facto postura de Estado, pondo de lado todas as divergências numa questão que é suprapartidária”, disse.
“O chefe de Estado questionou alguns nomes e agora a maioria usa a sua maioria para travar o Presidente”, afirmou, recordando que a sociedade civil “não quer corrupção” e que o Presidente timorense tem atuado para defender “honestidade e integridade” e sempre em respeito da Constituição.
Mariano Sabino, deputado do PD, também criticou a postura da coligação do Governo, ao considerar ser preciso “um novo paradigma” para a política em Timor-Leste.
“O Presidente é o Presidente de todo o Estado e a visita de Estado é importante para a relação entre nações. Portugal é a nação mais importante para Timor-Leste, que lutou pela independência e hoje continua a lutar para libertar o povo”, afirmou.
“É importante separar a decisão do Presidente, na sua interpretação da Constituição, do Presidente como representante de todo o povo e da nação nesta visita”, sustentou.
No arranque da sessão plenária de hoje do Parlamento Nacional, o deputado Francisco Vasconcelos, do Partido Libertação Popular (PLP), leu uma declaração em nome das bancadas da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), a coligação que apoia o VIII Governo.
“A AMP, consciente do papel do Parlamento Nacional, perante a Constituição da República, e em defesa dos sagrados interesses do Povo, não vai autorizar a deslocação do Presidente da República ao estrangeiro”, disse Vasconcelos.
A decisão responde ao “atual impasse político, criado [pelo] próprio” Presidente, ao não dar posse a 11 dos membros do Governo da AMP, o que deixou o país “numa situação política anormal”, explicou.
“Neste momento, o país, o nosso povo, precisam que o chefe de Estado esteja presente em território nacional e demonstre estar à altura das altas responsabilidades constitucionais que lhe incumbem, contribuindo para a estabilidade política, para a governabilidade do Estado e para a paz social”, declarou.

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