Depois de Rui Moreira ter afirmado estar contra o acordo entre a Associação Nacional de Municípios e o Governo acerca da descentralização e de ter afirmado que pretende levar à Assembleia Municipal a saída do Porto daquela associação, também Paulo Cunha, o presidente da Câmara de Famalicão e dirigente do PSD, criticou ontem o acordo e os seus termos, afirmando que não está de acordo com a transferência de meras tarefas.

Rui Moreira e Paulo Cunha, que também é o presidente da Distrital de Braga do PSD e até há pouco tempo presidia ao Conselho Regional do Norte, falavam em Vizela numa convenção autárquica promovida pelo movimento independente Vizela Sempre, que ganhou as eleições autárquicas naquele concelho. Victor Hugo Salgado, atual presidente da Câmara de Vizela e o também independente Raúl Cunha (eleito pelo PS), que preside à Câmara de Fafe, estiveram de acordo com que este processo não serve o interesse dos municípios.
Paulo Cunha disse mesmo que o que está a ser preparado não é uma transferência de competências mas sim uma mera transferência de tarefas “e eu não sou tarefeiro”, afirmou, recusando ficar com meras obrigações de tratar de instalações e não receber competências políticas.
O presidente da Câmara de Vizela também se pôs ao lado de Rui Moreira, contando a sua experiência na Associação Nacional de Municípios onde, diz, quando chegou como presidente da Câmara e independente, não teve qualquer possibilidade de ter sequer opinião. “Tudo estava já combinado, não sei o que fui lá fazer. Os cargos de direção estavam já distribuídos e os independentes não tinham lugar”, contou.
Quanto á descentralização, vaticinou: “o que aqui está em causa é, unicamente, um aumento de impostos. É isso que irá acontecer. Os recursos que nos transferem não são suficientes e a curto prazo os autarcas, para governarem as suas câmaras terão que aumentar os impostos municipais. O Estado lavará a mãos e os munícipes virão ter connosco a pedir contas”, concluiu.
O presidente da Câmara do Porto revelou ontem ao semanário Expresso e, mais tarde, à Agência Lusa, que vai levar dia 24 à reunião do executivo camarário uma proposta de saída do município da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) por considerar “inaceitável” o acordo fechado com o Governo sobre descentralização.

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