Instituto da Conservação da Natureza e Florestas confirma o que está escrito no relatório da Comissão Técnica Independente sobre o fogo da Lousã, mas destaca que origem das chamas ainda pode ser alterada.

O Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) sublinha que as conclusões sobre as causas do maior incêndio da história de Portugal, que queimou 45 mil hectares e atingiu nove concelhos a meio de outubro de 2017, escritas no relatório da Comissão Técnica Independente, são “provisórias e, como tal, passíveis de alteração”.

Na altura em que o relatório foi conhecido o documento levantava fortes suspeitas sobre as origens do fogo que nasceu na Lousã a 15 de outubro adiantando como fonte para as conclusões que apresentava o Sistema de Informação de Incêndios Florestais do ICNF, entidade tutelada pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, mas dando vários detalhes sobre a forma como as chamas começaram.

O documento admitia que ainda decorriam averiguações, mas apresentava as conclusões já apuradas como válidas, apesar de numa legenda de um quadro também dizer que eram provisórias, identificando o fogo que começou na Lousã como tendo nascido de um comportamento “negligente” com origem nas linhas elétricas: tudo “terá sido provocado pela queda de uma árvore sobre uma linha de média tensão”.

Os técnicos escolhidos pelo Parlamento defendiam que podemos estar perante “o não cumprimento do regulamento de segurança das linhas elétricas pela entidade gestora, a EDP, em particular da distância mínima de segurança dos condutores às árvores”, “situações devidamente regulamentadas e cujo cumprimento pode só por si evitar situações deste tipo e todas as suas consequências”.

ICNF confirma conclusão, mas admite mudanças

No seguimento do relatório, a TSF questionou o ICNF que confirmou que a causa até agora identificada para este incêndio aponta para as linhas elétricas. No entanto, a resposta afirma que “importa ressalvar que se trata de um dado provisório e, como tal, passível de alteração”.

Os dados são tão provisórios que o ICNF recusa, por agora, adiantar as outras causas apuradas para os muitos outros fogos que surgiram entre 14 e 16 de outubro – é preciso esperar pelo relatório anual que não está fechado.

Maioria dos incêndios de outubro teve mão humana

Um documento da Autoridade Nacional de Proteção Civil a que a TSF teve acesso revela, contudo, que 21 dos 60 grandes incêndios dos dias 14 a 16 de outubro resultaram de “incendiarismo ou atos de vandalismo”, com outros 11 a resultarem de queimas ou queimadas, “pelo que se conclui que a ação humana teve um particular ênfase no início dos mesmos”.

O ICNF também prefere não adiantar, para já, que entidade fez a investigação ao fogo da Lousã.

Recorde-se que para os técnicos independentes as chamas de 15 de outubro na Lousã foram “o maior incêndio de que há memória” em Portugal, queimando 9 concelhos e afetando 169 empresas com prejuízos materiais de 49,5 milhões de euros.

A Associação de Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, que tenta representar aqueles que foram afetados não apenas pelo fogo da Lousã mas também de todos os incêndios que naquele dia queimaram mais de 200 mil hectares, diz que é preciso apurar responsabilidades.

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