Na primeira quinzena deste mês, choveu quase o dobro do que tinha chovido entre outubro e fevereiro. Os campos já estão verdes, mas as pastagens ainda vão demorar a garantir a alimentação do gado.

Lola, uma das vacas leiteiras desta exploração às portas de Elvas, e o resto da manada ainda precisam que o tratador Fernando Grilo as alimente à mão com recurso a ração – embora os tempos sejam de otimismo, à medida que a chuva vai caindo no Alentejo, desfazendo a seca severa que, durante meses, atormentou os agricultores.
Ainda assim, há um rasto de prejuízos sérios em fatores de produção, comparando com os “anos normais”, como diz o agricultor Mário Mendes, sublinhando que vai ser preciso esperar entre duas a três semanas para que os efeitos da água que caiu este mês se façam sentir no crescimento das pastagens naturais.
O produtor afirma que agora é aguardar para que a temperatura não suba até aos 30ºC, como acontece regularmente durante a primavera alentejana – o que poderia comprometer as pastagens, interrompendo o normal ciclo de crescimento.
Estamos em terras mistas, onde o gado e as culturas de cereais convivem, em dezenas de hectares próximos do rio Guadiana. Mário Mendes conta que os cereais de sequeiro já estavam “em fase de se perder”, mas que a recente chuva foi “ouro”, permitindo a recuperação das plantas.
As albufeiras da região vão também enchendo, à boleia da chuva. A barragem do Caia, ali ao lado, já aumentou o armazenamento de 19% para 35%. Ainda não há disponibilidade para a rega, mas os próximos dias podem garantir água às culturas da primavera e do verão.

 

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