Uma das maiores jóias do património baionense vai começar a ser restaurada. A Capela do Senhor do Bom Despacho, em Ancede, expoente máximo do Barroco, e paredes meias com o Mosteiro de Santo André, vai ser reabilitada e as obras vão ocorrer em duas fases

Datada de 1731 e considerada um dos mais notáveis exemplares do Barroco do Norte de Portugal, a Capela do Senhor do Bom Despacho é, também, um dos monumentos culturais mais visitados do concelho de Baião e, por ano, recebe milhares de turistas.
A autarquia baionense tem apostado ao longo dos anos em várias políticas de preservação do espaço, no entanto, nos próximos meses, a Capela vai ser alvo de uma intervenção mais profunda que decorrerá em duas fases: a reabilitação de todas as peças que integram a capela e, numa fase posterior, os palcos, os altares e os frescos.
Os exemplares de arte sacra, onde se encontram representados os mistérios do rosário, vão começar a ser retirados da Capela nos próximos dias e prevê-se que as peças só voltem ao seu lugar dentro de 5 meses. O conjunto escultórico apresenta os Mistérios de Cristo de forma tridimensional em cada um dos retábulos fazendo com que o espaço se assemelhe a um conjunto de cenas teatrais. Devido à minuciosidade e complexidade dos trabalhos a realizar em cada peça houve a necessidade de se proceder à reabilitação das esculturas fora da Capela e nos próximos meses as visitas ao espaço encontrar-se-ão condicionadas.
Construída de forma octogonal e respeitando o estilo joanino, o seu interior alberga, ainda, uma requintada talha dourada que, quando chegar o bom tempo, também sofrerá intervenções, já numa fase posterior das obras, assim como os palcos e o altar da Capela.
De referir, também, que a autarquia depositou nas mãos de Álvaro Siza Vieira, um dos maiores vultos da arquitetura portuguesa, a missão de recuperar o Mosteiro de Santo André em Ancede. Esta intervenção permitirá não só cumprir o sonho de restaurar aquele importante elemento do património concelhio mas, principalmente, colocará Ancede como um ponto de promoção da cultura, da arte e do pensamento.
Anabela Cardoso, vereadora da Cultura e Património Cultural, salienta a importância das obras de recuperação da Capela e do Mosteiro, dois dos expoentes máximos do turismo baionense, que permitirão “atrair outros públicos de todo o país e do estrangeiro”, não esquecendo que é Siza Vieira quem vai liderar todo o projeto.
O arquiteto recebeu em 1992 o Prémio Pritzker, o galardão máximo da arquitetura mundial, pelo projeto de renovação da zona do Chiado, em Lisboa. O Mosteiro de Santo André passará, assim, a estar presente na obra deste arquiteto matosinhense, ao lado de projetos de relevo como o Museu de Serralves (Porto), a Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre, Brasil), o Centro Galego de Arte Contemporánea (Santiago de Compostela, Espanha), os blocos 6,7 e 8 de Ceramique Terrein (Maastricht, Bélgica) ou a Igreja da Paróquia de Santa Maria em Marco de Canaveses, por exemplo. “O prestígio e a reputação internacional de que Siza Vieira goza, permitirão, certamente, colocar em evidência o Mosteiro de Santo André. Dada a influência daquilo que se faz na Europa para a cultura e para o pensamento à escala global, este será um projeto de relevo a nível mundial”, refere Anabela Cardoso.
A mesma opinião partilha Paulo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Baião, observando a delicadeza e minúcia que é preciso imprimir a este género de trabalhos quando toca à “conservação dos elementos patrimoniais que nos são legados pelos antepassados”, acrescentando que a missão que cabe à autarquia é a de “ser capaz de cuidar da herança patrimonial, preservá-la e legá-la às gerações vindouras, para que elas possam compreender as suas raízes culturais e históricas. É, precisamente, isso que queremos fazer”, assume o autarca baionense.
Francisco Fernandes Pedrosa, pároco de Ancede, mostrou-se visivelmente feliz pelo início das obras e desdramatizou os constrangimentos que poderão ocorrer nos próximos meses enquanto decorrerem os trabalhos, lembrando que “o espaço merece a intervenção pela riqueza histórica e arqueológica que possui” não esquecendo a “importância e destaque que tem assumido como polo turístico”. Foi precisamente por isso que o pároco pediu aos responsáveis pelo restauro das peças para “que não fossem retiradas todas de uma vez, mas sim de forma faseada, para que os turistas que queiram ver a Capela nos próximos meses possam, mesmo com as peças em falta, perceber o enquadramento da história que ali é contada”. Francisco Pedrosa assume, ainda, que a Capela é a “menina dos seus olhos” e que as obras vão “deixá-la ainda mais bonita”.
Entre 2005 e a atualidade a Câmara Municipal de Baião investiu aproximadamente 700 mil euros na valorização e qualificação do Complexo Arquitetónico do Mosteiro de Ancede.

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