Moradores das “ilhas” habitacionais do Porto defendem que a câmara e o Governo devem reabilitar estes 957 bairros operários que dão “alma” à cidade, mas a autarquia considera que não há “soluções mágicas” e propõe isenção de impostos.

“Gostaria que [Câmara do Porto e Governo] preservassem realmente as “ilhas” e que dessem algum apoio, nomeadamente na melhoria das casas para os moradores que aí vivem”, desafia José Castelo, antigo morador da “ilha” do Doutor, na rua de S. Vítor, onde nasceu e onde diariamente se desloca para visitar a antiga casa da família, promovendo algumas atividades para a comunidade.
Para José Castelo, que nasceu há 65 anos naquele local, também conhecido por “ilha do Castelo”, se os poucos que ainda moram nos típicos bairros da rua de S. Vítor forem embora, o espaço “perde a identidade e perde-se muito das características das ‘ilhas’”, que se espalham por toda a cidade mas têm forte presença naquela artéria. E se estes bairros desaparecerem, “morre a alma do Porto”, lamentou.
“O Porto é a cidade onde há ‘ilhas’, a rua de S. Vítor é a rua do Porto onde há mais ‘ilhas’ e faz parte da nossa identidade, da nossa alma, faz parte de nós”, exclama, afirmando que o seu sonho era reabilitar as casas todas do local onde nasceu e entregar as habitações a quem lá mora.
O antigo morador gostaria que o presidente da câmara, Rui Moreira, olhasse “um bocadinho” para aqueles bairros, porque o que está a acontecer na rua de S. Vítor, contou, é que as suas “ilhas” estão a ser transformadas em alojamentos locais, como é o caso da antiga “ilha do Mourão”, que se transformou em agosto numa espécie de ‘hostel’ de luxo com vista para o rio Douro e foi rebatizada de “Coloured Socks” (Meias coloridas).
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que esteve numa audição no parlamento na passada quinta-feira, afirmou que a reabilitação das 957 “ilhas” necessita de um investimento total de 32 milhões de euros e que não existe uma “solução mágica” para recuperar os mais de oito mil alojamentos.
O autarca sugeriu ao Governo que promovesse um “conjunto de medidas” que, para além de isenções de impostos, incluíssem a redução do IVA para operações de reabilitação, “desde que destinadas a arrendamento de habitação a custo controlado”.

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