As maiores diferenças salariais entre Porto e Lisboa ocorrem no setor do retalho.

Segundo estimativas da consultora Michael Page para 2018, o Porto sai “derrotado” face a Lisboa quanto à qualidade dos vencimentos. Na maioria dos setores, os ganhos anuais brutos (sem bónus) na capital são largamente superiores aos do Norte, com exceção de áreas como o marketing e a indústria.
A equidade salarial entre as duas cidades só é visível em alguns departamentos do setor financeiro e da saúde e ciências. Mas as maiores disparidades entre as duas cidades ocorrem na área do retalho. Há mesmo casos onde os salários praticados no Porto são menos de metade face a Lisboa, como é o caso da área dos recursos humanos, do cargo de “RH business partner”.
“O Porto continua a ser um mercado muito mais industrial e Lisboa de serviços”, sustenta Carlos Andrade, responsável dos escritórios da Michael Page na Invicta. Mesmo assim, o responsável nota que, “com a criação de vários centros de serviços partilhados nos últimos anos, alguma desta diferença tem-se esbatido”, o que o leva a acreditar que “esta seja uma tendência que irá continuar, com o Porto a conseguir atrair e reter mais talento de futuro”, e que essa trajetória “será alavancada pelo grande número de alunos que está a sair de universidades, como a Faculdade de Engenharia do Porto, o Instituto Superior de Engenharia do Porto e as universidades do Minho, Aveiro e Coimbra”.
Certo é que, ao nível salarial, as indústrias da tecnologia e engenharia são as que mais evoluíram face aos anos anteriores, um fator resultante dos tempos modernos e, no caso português, “graças à diferença entre a oferta e a procura”, explica Carlos Andrade.
Em termos de emprego, está prevista uma maior capacidade para contratar, sendo que “os centros de serviços partilhados, os centros de tecnológicos e a indústria” serão os setores com mais vagas e com maior facilidade em preenchê-las.
No caso das tecnologias, “a procura tem sido maior, aponta António Costa, responsável pela área das tecnologias da informação da Michael Page, acrescentando que “a orientação para as ferramentas inteligência empresarial, “internet of things” e “machine learning” estarão entre os conhecimentos necessários para este ano”.
Já na indústria, “a procura em 2017 quase duplicou e os salários aumentaram cerca de 15%. Este é um mercado com grande procura de profissionais com “know how” técnico”, refere Pedro Martins, responsável da Michael Page pelo setor.

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