A companhia Circolando, que estabelece o diálogo entre teatro, dança e outros campos de criação artística, estreia nesta quinta-feira a performance Raio X, uma criação de André Braga, Cláudia Figueiredo e Paulo Mota que procura descobrir e mostrar o invisível de nós próprios. No Teatro Campo Alegre, às 21,30 horas.
Até ao próximo sábado, sempre à mesma hora, André Braga e Paulo Mota põem os corpos e as luzes a falar sobre “o grande silêncio do corpo, a fonte onde a energia pura cria o movimento da dança”. E questionam: “Que imagens, que paisagens podemos criar que reflitam este misterioso lugar?”. Mas também apontam, em jeito de resposta: “Queremos prosseguir com a reflexão sobre as formas de sensibilidade e lucidez próprias da criação artística. Interessa-nos aventurar-nos num diálogo a cru com a filosofia”.
Ao “Porto.”, André Braga levou um pouco mais fundo as explicações, avançando que o processo criativo passa por “viajar por estórias, cada um viajar por estórias internas, interiores, uma geografia. A história fica para trás; a geografia é mais lenta, é uma memória muito mais densa, muito mais longa”.
Durante o ensaio de imprensa da produção Raio X, André Braga revelou que a peça “partiu da ideia de uma radiografia que é mostrar o invisível de nós próprios, por isso se chama Raio X, integrado no inconsciente”. Adiantou também que uma parte muito importante do texto “fala do inconsciente como um espaço político e social a conquistar, da história do corpo sem órgãos, que é um conceito de Deleuze em que o Corpo sem Órgãos é um corpo que não quer ser dominado, que quer ser livre, quase anárquico”.
Esse lado “inconsciente” é muito importante na criação artística da Circolando, salienta o diretor artístico, dado que “é um lugar que pode ser imenso, pois vive-se num sistema muito organizado e, se calhar, há outros lugares, geografias que podemos visitar. Por exemplo, no texto de sala, falamos de lugares como a esquizofrenia, falamos de droga como lugares onde será possível viver sem sermos doentes e sem nos drogarmos”.
André Braga destaca que o facto de ser licenciado em Educação Física e de a também diretora artística Cláudia Figueiredo ser licenciada em Sociologia está muito presente no seu trabalho como dupla de criadores/performers. “Enquanto criança, sempre fui uma pessoa muito física. O corpo precisa de suar, de abrir os poros, e depois descobri mais a arte, a expressão artística”, acrescenta, dizendo que, para criar, “usamos o nosso corpo, mas também usamos outros instrumentos: usamos a música e a pintura, por exemplo. Existe aqui a ideia de criar mundos, de criar viagens”.
Todo o processo de criação artística da Circolando, que existe já há cerca de 19 anos, enceta uma aprendizagem, sendo que é um trabalho “muito coletivo”, do intérprete/criador. Para André Braga, “um criador deve procurar o desconhecido, e esta peça é sobre isso, sobre procurar o invisível”.
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