O Grupo de Utentes dos Transportes Públicos do Porto criticou esta quarta-feira o Governo por decidir aumentar os preços dos transportes no “limite máximo” e anunciou que até ao final do ano vai enviar uma petição pública ao primeiro-ministro.

“Até ao final do ano contamos continuar a recolher [assinaturas], e talvez para a semana ou mais próximo do fim do ano enviaremos ao Governo e ao Conselho Metropolitano do Porto o documento”, como uma ação simbólica de manifestação de “desagrado”, declarou à Lusa Maria João Antunes, do Grupo de Utentes, enquanto recolhia esta tarde assinaturas dos utentes do Metro do Porto.

O Grupo de Utentes dos Transportes Públicos do Porto critica o Governo por optar em fazer um “aumento do limite máximo” — 2,5% – dos preços dos transportes públicos e “acima da inflação prevista”, precisamente numa altura em que se paga “muito e em que do ponto de vista dos rendimentos das populações não houve assim tão grandes alterações que permitam que possam suportar estes aumentos”, refere Maria João Antunes.

“O nosso objetivo com isto [petição pública contra o aumento dos preços de transportes], tendo em conta o curto período, a fase das festas, a questão de já estar absolutamente definido este aumento, é fazer uma ação simbólica que permitisse ao Governo também saber a qual é a posição dos utentes dos transportes públicos do Porto”, acrescenta.

Na petição pública, com o título “Contra o aumento dos preços dos transportes” e que é dirigida ao “Senhor Primeiro Ministro, António Costa, e ao Conselho Metropolitano do Porto” e aos “Operadores e Empresas de Transportes Coletivos”, solicita-se que o Governo “reconsidere a sua posição e não avance com o aumento dos preços dos transportes em janeiro”.

No passado dia 01 de dezembro, o Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, anunciou a decisão de proceder a um aumento dos preços das tarifas de transportes públicos, designadamente nas tarifas dos transportes ferroviários, transportes coletivos rodoviários interurbanos de passageiros, com percursos inferiores a 50 quilómetros e os transportes coletivos de passageiros nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto.

A decisão, diz o Grupo de Utentes de Transportes Públicos do Porto, foi “recebida pelos utentes e população com surpresa”, porque as tarifas aplicáveis nos transportes atingem “hoje valores já insustentáveis para muitas famílias e especificamente para as famílias com menores rendimentos”, lê-se na petição, acrescentando que “desde 2011, os transportes foram alvo de brutais aumentos de preços”.

O grupo de Utentes chama ainda a atenção que de acordo com a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, os operadores “não são obrigados a fixar uma taxa de acréscimo nas tarifas correspondentes à fixada no despacho, podendo no limite, não proceder a qualquer aumento”, o que seria o desejável, como confirmou à Lusa a porta-voz daquele movimento, Maria João Antunes.

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