Esculturas de José Pedro Croft já podem ser visitadas na Real Vinícola.

Depois de ter representado Portugal na edição de 2017 da mais importante bienal do mundo, em Veneza, a obra “Medida Incerta”, de José Pedro Croft, já está na sua casa definitiva, na Real Vinícola, em Matosinhos, local emblemático do concelho onde recentemente inaugurou a Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura, o primeiro espaço expositivo português inteiramente dedicado ao estudo, à divulgação e valorização da arquitetura.
Ao todo, são seis esculturas em aço, vidro e espelho, com medidas de três por seis metros ligadas a estacas, e que pesam 140 toneladas. O objetivo é refletir a realidade em seu redor.
A estrutura foi adquirida em março pela Câmara Municipal de Matosinhos.
A Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, e o autor da obra escultórica, José Pedro Croft, procederam ontem, 16 de dezembro, pelas 16h00, à inauguração da obra “Medida Incerta”, numa iniciativa que contou ainda com a presença da Presidente da Assembleia Municipal, Palmira Macedo, do Vereador da Cultura, Fernando Rocha e do Vereador da Mobilidade e Transportes, José Pedro Rodrigues.
José Pedro Croft confessou estar muito feliz por a sua obra estar definitivamente na Real Vinícola, num espaço onde ficam perfeitamente integradas, resultado da vontade do vereador Fernando Rocha, que desde o primeiro momento em que viu as esculturas na Póvoa de Varzim, as quis trazer para Matosinhos após a Bienal de Veneza, e das “agradáveis negociações” com o autor do projeto da Real Vinícola, Guilherme Vaz, que facilmente chegou a acordo quanto aos locais a colocar cada uma das peças.
Para a Presidente da Câmara, Luisa Salgueiro, este é mais um excelente pretexto para Matosinhos ser cada vez mais um polo da cultura e da arquitetura a ser visitado não só pelos cidadãos do Grande Porto como de todo o país e de todo o mundo. “Para além do “world’s best fish, o nosso concelho tem cada vez mais um poder de atração a diferentes níveis que nos orgulha e a obra de José Pedro Croft veio para enriquecer ainda mais o nosso espólio cultural”, referiu.
A inauguração contou com uma performance dos Radar 360º que apresentaram de forma muito original a todos os presentes cada uma das obras que compõem a “Medida Incerta”. Foi um momento que surpreendeu pela beleza e originalidade captando a atenção através da música, do gesto e da interação de cada um dos artistas com as próprias esculturas.
Refira-se que José Pedro Croft é considerado o mais importante escultor português da geração surgida na década de 1980, tendo sido escolhido para criar a obra que representou Portugal na Bienal de Veneza deste ano.
“Medida Incerta” foi pensada para dar sequência à exposição de 2016, dedicada aos complexos habitacionais desenhados por Álvaro Siza Vieira, tendo estado instalada, durante a bienal, na Villa Hériot da ilha da Giudecca, a poucos metros de um projeto do arquiteto, com cuja métrica a obra de arte dialoga.
A instalação definitiva de “Medida Incerta” junto da Casa da Arquitectura, escolhida por José Pedro Croft, permite, assim, retomar o diálogo entre as duas artes, presente na sua génese. O curador da representação portuguesa em Veneza, João Pinharanda, salienta que, a despeito do “diálogo rítmico com a métrica” do projeto de Álvaro Siza, as esculturas de Croft “são claramente autónomas dessa referência”, desenvolvendo “metáforas de energia (aceleração, instabilização e efemeridade, vertigem ou multiplicação)”.
As peças de “Medida Incerta” foram visitadas em Veneza por 16.110 pessoas entre maio e novembro. As esculturas, com uma altura que ronda os oito metros, estão agora distribuídas pelo espaço do antigo quarteirão industrial de Matosinhos, reabilitado pela Câmara Municipal de Matosinhos para acolher a Casa da Arquitetura e a Orquestra Jazz de Matosinhos.
José Pedro Croft nasceu no Porto em 1958. Em 1981, concluiu o curso de pintura em Lisboa na Escola Superior de Belas Artes. A sua obra está representada em diversas coleções públicas e privadas, nomeadamente no Banco Central Europeu, em Frankfurt (Alemanha), no Museu Rainha Sofia, em Madrid (Espanha), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Brasil) e na Coleção Albertina, em Viena (Áustria).
Em Portugal, está presente nas coleções da Caixa Geral de Depósitos, da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu Berardo e o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na coleção António Cachola, no Museu de Arte Contemporânea de Elvas, e na Fundação de Serralves, no Porto, entre outras

Facebook
Twitter
Instagram