“Quando alguém morria perguntavam apenas: tinha paixão?” é o nome da exposição coletiva que o espaço Sismógrafo, na Praça dos Poveiros, inaugura na noite desta sexta-feira.
Com curadoria de Óscar Faria, a exposição tem o apoio do programa municipal Criatório e reúne trabalhos de Amy Hollowell, André Gomes, António Poppe, Bruno Zhu, Diana Carvalho, Hernâni Reis Baptista, Inês Dias, Isabel Duarte, Joana Fervença, João Jacinto, João Soares, Manuel de Freitas, Maria João Macedo, Paulo da Costa Domingos, Pedro Morais, Rui Baião, Rui Chafes e Sebastião Resende.
O ponto de partida do projeto, que inclui também um livro, é constituído por dois versos de um poema de Herberto Helder, publicado pela primeira vez em “A Faca não Corta o Fogo: súmula & inédita”. A questão subjacente remete para a Antiga Grécia, quando a paixão ainda era pathos, ou seja, possuía diferentes aceções – por exemplo, no Timeu, Platão enumera cinco paixões principais: prazer, tristeza, ousadia, medo e esperança.
Não se sabe se, para escrever o seu poema, Herberto Helder se terá apropriado de uma fala do filme “Feliz acaso” (“Serendipity”, 2001), quando Dean Kansky, protagonizado por Jeremy Piven, diz: “You know the Greeks didn’t write obituaries. They only asked one question after a man died: «Did he have passion?»”. Esta é, contudo, uma pergunta que nos toca a todos, sobretudo quando ela tem a relevância de uma síntese: através dela resume-se toda uma vida. A dos outros, a nossa.
A paixão e a morte. A paixão e a vida. São inúmeras as declinações que se podem realizar a partir do mote dado pelo poema que serve de mote a este projeto. Trata-se, no caso da exposição, de colocar em diálogo trabalhos que refletem sobre a tradição artística, por vezes chegando à iconoclastia, com obras profundamente ancoradas no presente, sobretudo pela forma como traduzem inquietações atuais através de objetos onde sobressai o mistério e a beleza. Trata-se aqui de sublinhar o caráter enigmático da obra de arte e como esta resiste à época na qual é produzida, projetando a sua intensidade através dos tempos.
“Quando alguém morria perguntavam apenas: tinha paixão?”, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, abre as portas pelas 22 horas de sexta-feira no Sismógrafo, espaço gerido pela associação cultural sem fins lucrativos Salto no Vazio e cuja programação é apoiada pelo programa Criatório que a Câmara do Porto lançou para estimular a criação artística contemporânea, o qual está já a iniciar a segunda edição.
Sismógrafo 
Praça dos Poveiros, 56 – 1.º, salas 1 e 2
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