A Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, recebe a partir de quinta-feira a exposição “Pai Natal: Metamorfoses e Mitificação”, resultado de uma investigação e “esforço explicativo” das mudanças na figura do presenteador natalício entre os séculos XVII e XX.

Não é apenas mais uma exposição sobre o Pai Natal. Resulta de uma investigação e reflexão académica. Também por isso é inovadora. Mesmo dentro do circuito dos natalistas [‘especialistas’ sobre o Natal], em que alguns são curadores de museus importantes, esta é a primeira vez que se tenta fazer um esforço explicativo do processo de metamorfose da figura do presenteador. É isso que marca a diferença”, descreveu à Lusa o responsável científico da mostra, Sérgio Costa Araújo.
Cerca de 130 imagens e objetos, entre ilustrações, gravuras e litografias, compõem a exposição do “acervo documental privado” de Sérgio Costa Araújo, que “relata a evolução gráfica das várias figuras do presenteador de Natal” e que vai estar patente na casa-museu até 14 de fevereiro.
A mostra abrange figuras desde o século XVII até à primeira metade do século XX, altura em que acontece “a última grande metamorfose” do presenteador de Natal, com o surgimento da figura do homem de barbas brancas e vestes vermelhas, criada pela Coca-Cola.
“O Pai Natal assume várias figuras. A designação de Pai Natal é a que é melhor identificada por um maior número de pessoas, mas ao longo do tempo existiram vários presenteadores de Natal. É essa a história visual que a exposição quer contar”, explicou Sérgio Costa Araújo.
A mostra é composta por núcleos dedicados aos vários presenteadores de Natal, desde o Menino Jesus ao Anjo de Natal, passando por S. Nicolau, figura ainda hoje celebrada no Porto, ou até por uma figura próxima da representação de um São José, presente num “postal impresso no Porto” em 1904.
Uma das preocupações na organização da exposição foi “chegar a todos os grupos” de público.
“O Natal é um tema unificador e nesta exposição, por ser visual, esse discurso é muito mais universal”, referiu o também curador da mostra, indicando que a cenografia está a cargo de Fernando Marques Oliveira.
O objetivo da exposição é “mostrar o caráter alegórico das personagens”.
“Aborda-se a questão da representação, da alegoria, do mito e da fábula. Trata-se de um olhar mítico mas também pagão”, acrescentou.
De acordo com Sérgio Costa Araújo, a ideia de fazer esta exposição “surgiu a partir de uma conversa em 2014 com Paulo Cunha e Silva [vereador da Cultura no primeiro mandato de Rui Moreira à frente da Câmara do Porto, falecido em 2015]”.
“Ele percebeu que eu investigava o acervo visual da história do Natal e, na ocasião, fizemos uma mostra genérica. Ficou a intenção de fazer outra mais centrada na figura do presenteador de Natal”, recordou.
O responsável científico e curador da mostra é colecionador de imagens natalícias “desde criança”, seguindo as pisadas dos avós, que lhe ofereceram as primeiras figuras em formato de “cartões postais” e, a partir de certa altura, começou também a estudar todo o universo em torno da celebração.
Sérgio Costa Araújo é investigador na área da infância, docente, e está a terminar um projeto de doutoramento sobre “Representações Visuais da Infância na Ilustração do Natal”.
Situada na rua de D. Hugo, no centro histórico do Porto, a Casa Museu Guerra Junqueiro está aberta entre as 10:00 e as 17:30.
A exposição “Pai Natal: Metamorfoses e Mitificação” tem entrada livre.

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