Presidente da câmara alerta para problemas da expansão do Porto de Leixões no seminário da Rete-Rede Internacional para a Colaboração Entre Cidades e Portos.

 A presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, defendeu esta tarde, em Veneza, o aprofundamento da colaboração entre a autarquia e o Porto e Leixões, de modo a tirar maior partido da presença do Terminal de Cruzeiros na cidade, não permitindo, por outro lado, que a ampliação do Terminal de Contentores Sul e a construção de um novo terminal de contentores, já anunciadas, comprometam o desenvolvimento urbano de Matosinhos. Luísa Salgueiro discursava no âmbito do Seminário da Rete (Rede Internacional para a Colaboração Entre Cidades e Portos), que decorre naquela cidade italiana, no qual Matosinhos é uma das sete cidades europeias que serve de referência para as boas práticas de cooperação entre administrações portuárias e autarquias.

A presidente de câmara alertou para a possibilidade de a concretização do novo terminal para barcos com fundos até 14 metros “comprometer a amplitude das ondas na praia de Matosinhos, um dos principais polos do surf nacional”, restringindo também a capacidade do Porto de Pesca, “uma imagem de marca do concelho, que Matosinhos pretende preservar pelo seu valor económico, social e cultural”.
Após explicar os vários domínios em que a Câmara Municipal de Matosinhos e a APDL têm colaborado ao longo dos anos, Luísa Salgueiro defendeu que o desenvolvimento paralelo da cidade e do seu porto dependerá de “uma política integrada para fazer face aos desafios futuros”. No domínio do desenvolvimento turístico, a autarca considerou necessária a concretização do projeto que ligará o terminal de cruzeiros à marginal de Matosinhos, advogando também que a autoridade portuária seja parceira na concretização do Museu do Mar e da Indústria Conserveira, um dos equipamentos com a que autarquia espera tirar partido do desembarque de centenas de milhares de turistas na cidade.
Luísa Salgueiro defendeu ainda a consolidação do polo de investigação marítima e ambiental localizado nas instalações do Porto de Leixões, o qual deve assumir-se como “um hub para o desenvolvimento nos domínios do mar que o município procura expandir”, considerando que a expansão do porto não deve pôr em causa a atividade piscatória nem a potencialidade do concelho para a prática de desporto náuticos.
“Promover o crescimento da cadeia de valor associada à logística”, disse Luísa Salgueiro, não pode “comprometer a qualidade de vida dos cidadãos” de Matosinhos, a qual, acrescentou, deve ser acautelada durante o processo de revisão do PDM, actualmente em curso. A rentabilização do “potencial único das Plataformas Logísticas de Leixões” não deve provocar “externalidades negativas com impacto na qualidade de vida dos cidadãos que vivem nas suas imediações, sobretudo no interior do concelho, pela via do trafego de camiões em vias locais e pela criação de polos de armazenagem desorganizados próximo de habitações”, concluiu.

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