O Porto preserva semi-escondido um dos raros brasões da poderosa família nobre que o Marquês de Pombal mandou assassinar. A conversa em torno dele vai reunir um descendente e um especialista em heráldica, na última sessão do ciclo municipal Um Objeto e seus Discursos por Semana, às 18 horas deste sábado, na Igreja dos Grilos. 
A Igreja de São Lourenço, comummente conhecida por Igreja dos Grilos, foi iniciada pelos jesuítas na segunda metade do século XVI. Apesar de a primeira pedra ter sido lançada em 20.08.1573, só em 1614, com o financiamento do Bailio de Leça, Comendador Frei Luís Álvaro de Távora, se ultimou o templo e Colégio anexo (hoje o Museu de Arte Sacra do Seminário Maior).
O benemérito, nessa igreja sepultado (em túmulo de mármore suportado por elefantes), teve o seu nome apagado em cumprimento do anátema que sobre a família Távora se abateu – proibição de proferir ou escrever o apelido, seus brasões destruídos e armas picadas – em 1758-1759, por ordem do Marquês de Pombal, Primeiro Ministro do reino.
Este episódio negro da História de Portugal constituiu um escândalo político do século XVIII, que envolveu crime, drama, sexo e intriga e que ficou conhecido como “o processo dos Távoras”, através do qual o marquês quase conseguiu aniquilar o poder da alta nobreza e dos Jesuítas. (veja aqui algumas cenas ou recorde a série “O Processo dos Távoras”, exibida na RTP).
Mas um brasão, no frontispício da Igreja de São Lourenço, sobreviveu à tal rasura ordenada pelo Marquês de Pombal, por se encontrar em local tão elevado. Além disso, também ao contrário do planeado pelo governante, a família descendente do próprio D. Afonso Henriques não se extinguiu e existem hoje muitos Távora no país.
Chegando agora ao fim mais uma temporada do ciclo municipal dedicado ao património material e imaterial da cidade, esse brasão é o tema da conversa que, pelas 18 horas deste sábado, reúne um descendente da família Távora e um especialista em heráldica. São eles, respetivamente, o professor auxiliar da Escola das Artes da Universidade Católica do Porto José Ferrão Afonso, investigador do CITAR e do CEAU, mestre em História da Arte e doutorado em Teoria e História da Arquitetura, cuja obra tem sido centrada, sobretudo, no estudo da arquitetura e urbanismo do Porto do início da Idade Moderna; e o Professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto José Augusto de Sottomayor-Pizarro, especialista em História Medieval, responsável pelas cadeiras de História Política na Época Medieval, História Medieval Peninsular e Genealogia e Heráldica.
A moderação estará a cargo do Padre José Alfredo Ferreira da Costa, reitor do Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição, responsável pelo acompanhamento dos padres novos e diretor do Museu de Arte e Arqueologia do Seminário Maior.
 O acesso é gratuito, mediante levantamento de bilhete.
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