O ciclo Um Objeto e seus Discursos por Semana deste sábado, 25 de novembro, leva dois ex-presos políticos às instalações do Museu Militar do Porto, onde funcionou a PIDE e onde um deles foi mesmo torturado antes do 25 de abril de 1974.
A sessão, com início às 18 horas, conta com a participação de Pedro Baptista e Sérgio Valente e tem como Objeto para início de conversa o tripé que a PIDE usava para alinhar a fotografia dos presos.
Pedro Baptista é doutorado em Filosofia, escritor e ensaísta; cofundador de O Grito do Povo em 1971, ex-preso político, foi deportado em 1973; ex-deputado socialista à Assembleia da República, é atualmente deputado municipal no Porto pelo movimento “Rui Moreira: Porto, o nosso partido”.
Sérgio Valente, fotógrafo, autor com dois livros publicados, ativista político e comunista, sofreu torturas naquele mesmo edifício por parte da PIDE, que o deteve por três vezes; é também um Fotógrafo na Revolução (título de um dos seus livros), que retrata aquele período histórico através de fotografias a preto e branco, tais como as que eram alinhadas pelo tripé que serve de mote a esta sessão.
 O Museu, situado na Rua do Heroísmo, mesmo em frente ao Largo de Soares dos Reis, foi um sinistro edifício até à Revolução dos Cravos, pois ali eram encarcerados, humilhados e torturados os presos políticos que se opunham ao Estado Novo.
A construção oitocentista tinha sido alugada pelo Estado em 1936 e adquirida em 1948, para nela instalar a sede da polícia política (recorde aqui uma história da Polícia Internacional e de Defesa do Estado – PIDE).
 O edifício acolhe o Museu Militar do Porto desde 1980, mas não há na cidade outro local com simbolismo semelhante para preservação, tratamento e divulgação da memória da resistência à ditadura. É, por isso, o local mais propício à conversa com os dois ex-perseguidos pelo regime político, que terão como anfitrião o coronel Oliveira Andrade, atual diretor da instituição.
 A data é também simbólica: 25 de novembro de 1975 foi a data em que um grupo operacional de militares chefiados por Ramalho Eanes evitou uma tentativa de golpe militar extremista e pôs fim ao PREC (Processo Revolucionário Em Curso), estabilizando os efeitos da revolução de 1974. Curiosamente, foi também Ramalho Eanes quem inaugurou o Museu Militar do Porto, a 21 de março de 1980, então já na qualidade de Presidente da República.
Entre o variado acervo do Museu, o seu ex libris é a coleção de milhares de miniaturas de soldados (principalmente de chumbo) de diferentes épocas.
 Visando divulgar os mais variados aspetos do património material e imaterial da cidade, as iniciativas do ciclo municipal Um Objeto e seus Discursos por Semana são de acesso gratuito, mediante levantamento de bilhete.
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